O segundo trimestre de 2026 promete movimentar a Bolsa brasileira com uma série de balanços e eventos que podem impulsionar ou prejudicar o desempenho de ações de grandes empresas, como Petrobras e Banco do Brasil. Em análise divulgada nesta terça-feira, o Itaú BBA destacou que o período deve ser marcado por contrastes, com alguns setores apresentando resultados fortes enquanto outros enfrentam desafios.
Petrobras e BB: destaques do 2T
De acordo com o relatório do Itaú, as ações da Petrobras (PETR4) e do Banco do Brasil (BBAS3) estão entre as que devem se destacar no 2T26, tanto para o bem quanto para o mal. No caso da Petrobras, a expectativa é de que a empresa se beneficie dos preços elevados do petróleo, mas enfrente pressão com a redução da produção e custos operacionais maiores. Já o BB pode apresentar crescimento no crédito, mas com margens apertadas devido à concorrência.
O Itaú também mencionou que o mercado de capitais brasileiro tem visto um volume recorde de dividendos e recompras de ações, que atingiram US$ 6,3 bilhões no primeiro semestre de 2026. A maior pagadora foi a Vale, seguida por Petrobras e Itaú Unibanco.
Abismo fiscal? Itaú diz que é exagero
Em relação às contas públicas, o Itaú rebateu as preocupações com um suposto “abismo fiscal” em 2027. Segundo o banco, as projeções negativas são exageradas, e o Brasil deve manter a trajetória de consolidação fiscal, com crescimento econômico moderado e controle de gastos. O relatório aponta que o déficit primário deve ficar em torno de 0,5% do PIB em 2027, bem abaixo do temido por alguns analistas.
Bolsa pode repetir padrão de anos eleitorais
O Itaú também analisou o comportamento da Bolsa em anos eleitorais, indicando que o Ibovespa pode repetir o padrão histórico de volatilidade antes das eleições de outubro. Historicamente, o mercado tende a se recuperar após o período eleitoral, com expectativa de reformas e políticas econômicas. O banco recomenda cautela no curto prazo, mas vê oportunidades em setores como energia e finanças.
Dividendos e recompras atingem US$ 6,3 bi no Brasil
Um dos destaques do mercado brasileiro em 2026 é o volume de dividendos e recompras de ações. Segundo dados da B3, as empresas listadas distribuíram US$ 6,3 bilhões aos acionistas nos primeiros seis meses do ano, um recorde histórico. A Vale foi a maior pagadora, com US$ 2,1 bilhões, seguida por Petrobras (US$ 1,8 bilhão) e Itaú Unibanco (US$ 1,2 bilhão).
O movimento reflete a geração de caixa robusta das empresas, especialmente as exportadoras de commodities, e a política de remuneração aos acionistas adotada por grandes companhias.
Temporada de balanços do 2T26 ganha destaque
A temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 começa a ganhar destaque na B3, com investidores atentos aos resultados de empresas como Embraer, que recentemente anunciou pedidos bilionários no Farnborough Air Show. A fabricante de aeronaves teve um começo morno no ano, mas as novas encomendas podem impulsionar suas ações.
Outros setores em foco são o varejo, com Smart Fit e C&A sendo apontadas como apostas do BBI, e o setor de saúde, que pode ser beneficiado por novas regras da ANS.
Impacto no mercado
O cenário é de cautela geopolítica, com tensões no Oriente Médio e a guerra comercial entre EUA e China afetando o humor dos investidores. No entanto, o mercado doméstico brasileiro tem mostrado resiliência, com a Bolsa se recuperando parcialmente das quedas recentes. O Itaú recomenda que os investidores fiquem atentos aos balanços e aos desdobramentos políticos para ajustar suas carteiras.



