O Itaú classificou como exagero as projeções de um 'abismo fiscal' para 2027, mas reconhece a necessidade de reformas para garantir a sustentabilidade das contas públicas. Em relatório, o banco afirma que, embora haja desafios, o cenário não é catastrófico, desde que medidas estruturais sejam adotadas.
O que diz o Itaú sobre o 'abismo fiscal'?
O termo 'abismo fiscal' foi usado por alguns analistas para descrever o risco de descontrole das contas públicas a partir de 2027, com possível explosão da dívida pública. O Itaú, no entanto, pondera que o cenário mais provável é de gradual deterioração, e não de colapso imediato. 'A situação fiscal é desafiadora, mas não estamos diante de um abismo', afirma o economista-chefe do banco, Mario Mesquita.
Reformas necessárias para evitar problemas
O relatório destaca que, sem reformas, a dívida pública pode atingir níveis preocupantes na próxima década. Entre as medidas sugeridas estão a reforma administrativa, a revisão de gastos obrigatórios e a melhora na eficiência do setor público. 'O que falta é uma agenda de reformas que garanta o crescimento sustentável e o equilíbrio fiscal', completa Mesquita.
Impacto nos mercados e investimentos
A percepção de risco fiscal tem afetado os mercados financeiros, com pressão sobre o câmbio e a curva de juros. O Itaú recomenda cautela, mas vê oportunidades em ativos de renda fixa indexados à inflação. 'O investidor deve ficar atento aos cenários, mas sem pânico', orienta o banco.
O debate sobre o 'abismo fiscal' ganhou força após projeções do Tesouro Nacional indicarem possível crescimento da dívida bruta para acima de 100% do PIB em 2027. O Itaú, porém, considera essas projeções muito pessimistas, pois não consideram o impacto de eventuais ajustes fiscais.
Perspectivas para 2027
O banco projeta um déficit primário de 0,5% do PIB em 2027, contra 1% estimado pelo mercado. 'Com reformas, podemos ter um superávit primário já em 2028', afirma Mesquita. O Itaú também destaca que o governo tem espaço para melhorar a arrecadação sem aumentar impostos, combatendo a sonegação e melhorando a gestão tributária.
Em resumo, o Itaú vê o 'abismo fiscal' como um exagero, mas alerta que a complacência pode levar a problemas. 'O momento é de agir, não de alarmismo', conclui o relatório.



