O mercado de ETFs no Brasil atingiu a marca de 22 anos e já conta com mais de 190 fundos listados. O marco é celebrado com o lançamento do NTNF11, primeiro ETF de renda fixa a seguir o novo índice da B3, o Índice B3 Tesouro Prefixado Juros (IB3 TPRE-J). O produto foi lançado nesta terça-feira (21) pela Investo, em parceria com a V8 Capital.
NTNF11: primeiro ETF de renda fixa do índice IB3 TPRE-J
O NTNF11 permite ao investidor acompanhar uma carteira de Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F). O índice IB3 TPRE-J é composto por NTN-Fs com prazo médio superior a 800 dias. A metodologia utiliza alocação dinâmica baseada na inclinação da curva de juros, com rebalanceamento mensal entre diferentes vencimentos para buscar oportunidades em diferentes cenários de mercado.
Segundo Cauê Mançanares, CEO da Investo, o ETF simplifica o acesso a estratégias de longo prazo com NTN-Fs. “Tradicionalmente, montar uma estratégia de longo prazo com NTN-Fs exigia acompanhamento profissional contínuo e alto conhecimento técnico. O novo ETF simplifica esse processo”, destaca.
Desempenho histórico do índice IB3 TPRE-J
Em backtest, o índice replicado pelo NTNF11 apresentou retorno acumulado de 109,5% entre maio de 2018 e junho de 2026. Esse desempenho superou o CDI (103,1%) e o Índice de Renda Fixa do Mercado (IRF-M) da Anbima (102%) no mesmo período. O crescimento anualizado (CAGR) foi de aproximadamente 9,6% ao ano. Em todas as janelas móveis de 36 meses analisadas desde a criação do índice, todos os retornos foram positivos, sendo a pior janela de 6,7%. O índice também superou a inflação acumulada medida pelo IPCA (54,1%), preservando o ganho real do investidor.
Vantagens tributárias e custos do NTNF11
O NTNF11 possui alíquota de 15% de Imposto de Renda (IR) no cupom desde o início da aplicação. O investimento inicial é próximo de R$ 50 por cota, e a taxa de administração é de 0,35% ao ano. Fabio Dantas, sócio-fundador da V8 Capital, destaca que o produto oferece vantagem competitiva. “O NTNF11, além de proporcionar à pessoa física o acesso a títulos públicos historicamente negociados em condições mais vantajosas pelos investidores institucionais, oferece renda recorrente e diversificação de carteira, com baixo risco de crédito”, afirma.
Boom de ETFs de renda fixa no Brasil
O Brasil vive um boom de ETFs de renda fixa. Diferentes gestoras lançaram fundos de índice associados a títulos públicos em 2026. Segundo a Anbima, dos R$ 32,5 bilhões em captação líquida dos ETFs no primeiro semestre de 2026, R$ 27,1 bilhões foram destinados a fundos de renda fixa. Os atrativos incluem isenção de IOF e come-cotas, além de alíquota única de IR de 15%, independentemente do prazo da aplicação, ao contrário da tabela regressiva da renda fixa tradicional (que varia de 22,5% a 15%).
B3 amplia portfólio de índices de renda fixa
A B3 também está ampliando sua carteira de índices de renda fixa. Na última semana, em parceria com a Nu Asset, foram lançados três índices que acompanham carteiras de Tesouro IPCA com prazos médios de 2, 5 e 10 anos. A gestora do Nubank anunciou três ETFs ligados a esses indicadores: NB0211, NB0511 e NB1011. Com o IB3 TPRE-J, o portfólio da B3 soma 17 índices de renda fixa.



