Porto Maravilha: 3.385 novos apartamentos e valorização de 54% em 5 anos
Porto Maravilha: 3.385 novos aptos e valorização de 54%

O Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, registrou a entrega de 3.385 novos apartamentos nos últimos cinco anos, impulsionando uma valorização imobiliária de 54% na região de Santo Cristo, quase quatro vezes acima da média da cidade. No entanto, moradores relatam que a oferta de serviços básicos, como supermercados, escolas e unidades de saúde, não acompanhou o ritmo de ocupação, além de preocupações com segurança e aumento do custo de vida.

Expansão residencial e valorização recorde

Nos últimos cinco anos, a região recebeu 30 licenças para empreendimentos que somam mais de 12 mil unidades habitacionais, das quais 3.385 já foram entregues, principalmente no bairro de Santo Cristo. Segundo a plataforma Bel Radar, o metro quadrado em Santo Cristo valorizou 54% no período, enquanto a média da cidade foi de cerca de 13,5%. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, afirmou que a infraestrutura urbana do Porto Maravilha é uma das mais modernas da cidade e que a expansão dos serviços ocorre de forma gradual. "Do ponto de vista de infraestrutura urbana não há na cidade infraestrutura mais nova do que aquela que foi feita na região do porto", disse.

Moradores enfrentam falta de serviços

A maquiadora Ariana Bassi, uma das primeiras moradoras da nova fase, resume os desafios: "Falta mercado, falta escola, falta uma clínica da família". Ela conta que precisa sair da região para compras básicas. "A gente chega no mercado às vezes não tem um arroz. E aí como é que fica? Você tem que acessar outros bairros", relatou. O mecânico André Luiz Martins também reclama da infraestrutura de água: "Água aqui é muito precário. Quem não tem uma bomba, segundo andar, terceiro andar, não tem água. Falta com muita frequência".

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Segurança ainda é preocupação

Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que, entre janeiro e maio deste ano, a área atendida pela delegacia da região registrou aumento de 6% nos furtos, totalizando 1.394 ocorrências. Os roubos de celular cresceram 65% e os roubos de veículos aumentaram 240% em relação ao mesmo período do ano anterior. O empresário Luiz Fernando Costa Rezende afirma que o policiamento ostensivo é insuficiente: "A gente vê pouco carro de polícia. Eu percebo aqui uma privatização na parte da segurança. Os condomínios contratam segurança privada". O comerciante Caio Guerra complementa: "Quando chega no horário da noite, o bairro fica um pouco deserto e a gente não consegue ter essa segurança".

Aluguéis em alta e custo de vida

A valorização imobiliária elevou os aluguéis. Luiz Fernando relata que apartamentos de um quarto já são alugados por cerca de R$ 3 mil. "Eu moro na Zona Sul do Rio de Janeiro e é preço de Zona Sul aqui", especulou. A coordenadora de projetos Natália Caverno, moradora da Saúde há quase quatro décadas, afirma: "Tudo aumentou pela procura. Valorizou muito o Centro da cidade, ainda mais com esses condomínios". O professor Bruno Rodrigues destaca que moradores tradicionais têm dificuldade para permanecer: "Os donos dos imóveis querem botar o imóvel mais caro".

Comércio e serviços ainda insuficientes

O empresário Gabriel Laureano, que começou vendendo alimentos em um carrinho e hoje administra um food truck, acredita que falta de restaurantes, farmácias e outros comércios. A presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil no Rio de Janeiro (IAB-RJ), Marcela Marques Abla, defende que o sucesso da revitalização depende da qualidade de vida: "A gente tem que pensar na base, quem vive já o bairro ou as pessoas que estão vindo para cá". Ela lembra que o projeto original previa 10 mil unidades habitacionais populares, meta não cumprida, e que as próximas etapas devem ser construídas com a sociedade. "É uma cidade viva que pulsa, cultura, moradia, trabalho e paisagem, tudo junto e misturado", comentou.

Prefeitura prevê melhoria gradual

O secretário Osmar Lima afirma que a chegada de mais moradores aumentará a circulação de pessoas e a sensação de segurança, e que já há um grande supermercado em construção. "Onde tem demanda surge oferta", concluiu.

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