A inadimplência nos condomínios brasileiros atingiu 22% em junho de 2026, segundo levantamento da Associação Brasileira de Administradoras de Condomínios (ABAC). O índice representa um aumento de 3 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025 e acende o alerta para síndicos e administradoras.
Causas do aumento da inadimplência
O presidente da ABAC, Carlos Eduardo Silva, atribui o crescimento ao desemprego e à inflação. "Muitas famílias perderam renda e priorizam contas como água e luz, deixando o condomínio para depois", explica. Além disso, o fim do auxílio emergencial e o aumento do custo de vida pressionam o orçamento das famílias.
Segundo a ABAC, 45% dos condomínios com até 20 unidades têm inadimplência acima de 30%. Em condomínios maiores, o índice cai para 15%, mas o valor absoluto das dívidas é maior, podendo comprometer serviços essenciais.
Impactos nas contas do condomínio
A inadimplência afeta diretamente o caixa. "Quando a taxa não é paga, o condomínio precisa usar a reserva ou cortar gastos, o que pode levar à demissão de funcionários ou à suspensão de manutenções", alerta Silva. Em casos extremos, a falta de pagamento pode gerar ações judiciais e penhora de bens.
Dados da ABAC mostram que 30% dos condomínios brasileiros já tiveram que recorrer a empréstimos bancários para cobrir despesas correntes por causa da inadimplência. A taxa média de juros desses empréstimos é de 3,5% ao mês, aumentando ainda mais o déficit.
Estratégias para evitar e cobrar dívidas
Especialistas recomendam medidas preventivas e de cobrança eficientes. A primeira é a comunicação clara: "Enviar lembretes por e-mail, WhatsApp e aplicativos de gestão reduz em até 40% a inadimplência", afirma a consultora financeira Mariana Costa, da Finanças Condominiais.
Outra estratégia é a negociação. "Oferecer descontos para pagamento à vista ou parcelamento sem juros pode recuperar até 60% dos devedores", diz Costa. O condomínio também pode adotar multa de 2% ao mês e juros de 1% ao mês após o vencimento, conforme previsto em convenção.
Cobrança judicial e protesto
Quando a negociação não funciona, a via judicial é uma opção. O advogado especialista em direito condominial, Rafael Oliveira, explica: "O condomínio pode ajuizar ação de cobrança e, em último caso, solicitar a penhora do imóvel. O processo leva em média 2 anos, mas a taxa de sucesso é de 85%."
O protesto da dívida em cartório é outra ferramenta. "Protestar a dívida gera restrição de crédito e pressiona o devedor a pagar", afirma Oliveira. O custo do protesto é baixo (cerca de R$ 20) e pode ser cobrado do devedor.
Prevenção como melhor remédio
A ABAC recomenda que os condomínios mantenham um fundo de reserva equivalente a três meses de despesas. Além disso, a realização de assembleias para aprovar orçamentos realistas e a contratação de administradoras profissionais ajudam a evitar surpresas.
"A inadimplência é um sintoma de problemas maiores. Condomínios que investem em gestão transparente e comunicação têm menos de 10% de inadimplência", conclui Silva.



