Petróleo sobe a US$ 91 e mercado teme novo choque
Petróleo sobe a US$ 91 e mercado teme novo choque

O petróleo Brent, referência internacional, atingiu nesta quinta-feira (22) o valor de US$ 91 o barril, o maior patamar desde outubro de 2014. A alta de mais de 2% acendeu o alerta no mercado financeiro sobre os riscos de um novo choque de oferta, que pode pressionar ainda mais a inflação global e comprometer a recuperação econômica pós-pandemia.

Motivos da alta: oferta restrita e demanda aquecida

A escalada dos preços é atribuída a uma combinação de fatores. De um lado, a oferta global de petróleo segue restrita, com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) mantendo cortes graduais na produção. Do outro, a demanda continua aquecida, impulsionada pela retomada econômica nos Estados Unidos, Europa e Ásia.

Segundo analistas do Bank of America, o mercado global de petróleo enfrenta um déficit de oferta de cerca de 1,5 milhão de barris por dia no segundo semestre de 2026. "A combinação de demanda resiliente e oferta limitada cria um cenário propício para preços elevados", afirmou o banco em relatório.

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Impacto no mercado e na inflação

A alta do petróleo tem efeito cascata sobre diversos setores. O custo dos combustíveis, como gasolina e diesel, tende a subir, pressionando a inflação ao consumidor. No Brasil, a Petrobras já anunciou reajustes nas refinarias, o que deve impactar o IPCA nos próximos meses.

O economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, afirmou que "o petróleo a US$ 91 representa um risco significativo para a meta de inflação, especialmente em economias emergentes como o Brasil, onde os combustíveis têm peso relevante no índice de preços".

Reação dos mercados financeiros

As bolsas asiáticas fecharam em queda, com o índice Nikkei recuando 1,8%. Na Europa, o FTSE 100 e o DAX operavam em baixa de mais de 1%. Nos Estados Unidos, os futuros dos índices S&P 500 e Nasdaq apontavam abertura negativa.

O dólar também se fortaleceu frente às moedas emergentes, com o real brasileiro registrando desvalorização de 0,9% no dia. O movimento reflete a aversão ao risco diante do cenário inflacionário global.

Perspectivas e alertas

O Bank of America elevou sua projeção para o preço do petróleo no fim de 2026 para US$ 95, citando riscos geopolíticos adicionais, como as tensões no Oriente Médio e a possibilidade de sanções mais duras contra a Rússia. O banco alerta que um choque de oferta pode levar o barril a US$ 100.

"Estamos monitorando de perto a evolução dos estoques globais de petróleo. Uma queda adicional pode desencadear uma alta ainda mais acentuada", disse o analista de commodities do banco, Francisco Blanch, em nota.

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