Quase um quarto das exportações brasileiras de celulose e papel foram atingidas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que entrou em vigor em julho de 2026. Segundo dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), as vendas para o mercado americano representam cerca de 23% do total exportado pelo setor, que somou US$ 9,2 bilhões em 2025.
Impacto das tarifas sobre o setor
As novas tarifas, que variam de 10% a 25% dependendo do produto, foram anunciadas pelo governo americano em junho como parte de uma medida protecionista. Para o setor de celulose, a alíquota adicional é de 15%, enquanto para papel e embalagens chega a 20%. A medida já gerou apreensão entre os produtores brasileiros, que temem perda de competitividade no maior mercado consumidor do mundo.
“Os Estados Unidos são o principal destino das nossas exportações de celulose de fibra curta, e qualquer aumento de custo pode nos tirar do páreo frente a concorrentes como Canadá e Chile”, afirmou João Carlos de Oliveira, presidente da Bracelpa, em comunicado. Ele estima que as exportações do setor para os EUA podem recuar até 15% neste ano, caso as tarifas se mantenham.
Reação do governo brasileiro
O governo brasileiro já sinalizou que deve recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a medida. O Ministério das Relações Exteriores classificou a ação como “unilateral e protecionista” e estuda contramedidas, como a elevação de tarifas sobre produtos americanos. O setor de celulose e papel emprega diretamente mais de 100 mil pessoas no Brasil e faturou R$ 87 bilhões em 2025, segundo a Bracelpa.
Além da celulose, outros segmentos da pauta exportadora brasileira também foram afetados, como aço, alumínio e carne bovina. No entanto, o impacto sobre o setor de papel e celulose é especialmente significativo devido à alta dependência do mercado americano. Dos US$ 2,1 bilhões exportados para os EUA em 2025, 70% correspondem a celulose, 20% a papéis e 10% a embalagens.
Perspectivas para o setor
Especialistas apontam que, no curto prazo, as empresas brasileiras podem tentar redirecionar suas exportações para outros mercados, como China e Europa. No entanto, a capacidade de absorção desses destinos é limitada. A China, por exemplo, já é o maior comprador de celulose brasileira, respondendo por 40% das exportações, mas o mercado europeu enfrenta desaceleração econômica.
“A diversificação de mercados é uma estratégia de longo prazo, mas não resolve o problema imediato. As tarifas americanas vão comprimir as margens das empresas e podem levar a uma redução nos investimentos”, analisa Maria Silva, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI). Ela destaca que o Brasil precisa avançar em acordos comerciais bilaterais para evitar novos episódios como este.



