O tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre importações de papel está gerando um desafio de gestão para as mídias brasileiras. A medida, que entrou em vigor em julho de 2026, elevou em 25% o custo do papel importado, insumo essencial para a produção de jornais e revistas. Segundo a Associação Nacional de Jornais (ANJ), o impacto pode chegar a R$ 200 milhões adicionais por ano para o setor.
Impacto nos custos e na produção
O papel importado representa cerca de 60% do consumo total das mídias impressas no Brasil. Com o tarifaço, as empresas precisam repassar os custos ou buscar alternativas. "Estamos diante de um cenário de aumento de custos que pode inviabilizar a operação de pequenos e médios jornais", afirmou o presidente da ANJ, Marcelo Rech. A entidade estima que o preço do papel pode subir até 30% no curto prazo.
Estratégias de gestão e inovação
Para lidar com o desafio, as mídias estão adotando estratégias de gestão como redução de tiragem, aumento de preços de assinaturas e investimento em plataformas digitais. O jornal O Globo, por exemplo, anunciou que reduzirá em 15% a circulação impressa e focará em conteúdo digital. "A digitalização é o caminho para mitigar os efeitos do tarifaço", disse o diretor de operações do Grupo Globo, João Roberto Marinho.
Busca por alternativas nacionais
Outra saída é aumentar o uso de papel nacional, que responde por 40% do mercado. No entanto, a produção interna não é suficiente para suprir a demanda total. A indústria nacional de papel e celulose, representada pela Ibá, afirma que pode aumentar a oferta em 10% nos próximos meses, mas alerta para limitações de capacidade. "Precisamos de investimentos para expandir a produção, mas o cenário econômico desfavorável dificulta", explicou o diretor-executivo da Ibá, Paulo Hartung.
Reações do governo e do setor
O governo brasileiro já iniciou negociações com os Estados Unidos para reverter a medida. O ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou que "o tarifaço é injusto e prejudica a livre iniciativa. Vamos buscar uma solução diplomática." Enquanto isso, o setor de mídia pressiona por medidas de compensação, como redução de impostos ou subsídios. A ANJ protocolou um pedido de isenção de IPI para o papel importado, mas a proposta ainda está em análise.
Perspectivas para o futuro
O tarifaço representa um teste de resiliência para as mídias brasileiras, que já enfrentam queda na circulação impressa e concorrência das plataformas digitais. Especialistas acreditam que a crise pode acelerar a transformação digital do setor. "As empresas que não se adaptarem podem não sobreviver", alertou o professor de gestão de mídia da FGV, Eduardo Sá. A expectativa é que, nos próximos anos, o mercado de mídia impressa se consolide em torno de grandes grupos com capacidade de investimento.



