Ações da Simpar sobem 6,98% com venda da CS Porto Aratu por R$ 1,8 bi
Simpar sobe 6,98% com venda de porto por R$ 1,8 bi

As ações da Simpar (SIMH3) operam em alta de 6,98% nesta quinta-feira (23), cotadas a R$ 7,82 às 11h40, impulsionadas pelo anúncio da venda integral da HSIM, holding que controla a CS Porto Aratu, para a ICTSI Americas. O acordo, revelado antes da abertura do mercado, estabelece um Enterprise Value (EV) de R$ 1,8 bilhão, composto por R$ 750 milhões em valor de patrimônio líquido e a transferência de R$ 1,0 bilhão em dívida líquida apurada no primeiro trimestre de 2026.

Impacto positivo segundo JPMorgan

Analistas do JPMorgan classificaram a transação como positiva para os papéis da Simpar. O banco destacou que o negócio foi fechado a um múltiplo de 8,1 vezes o EV sobre o Ebitda estimado para 2026, um prêmio significativo em comparação ao múltiplo de 3,6 vezes em que a holding atualmente negocia. A expectativa é que os recursos recebidos reduzam o endividamento líquido da holding para aproximadamente R$ 450 milhões.

“Nós, portanto, vemos este anúncio como um acontecimento positivo, reforçando a estratégia de desalavancagem da companhia e sua capacidade de destravar valor por meio de subsidiárias não listadas, com a dívida líquida no nível da holding diminuindo para aproximadamente R$ 450 milhões após o recebimento total dos recursos”, afirma o relatório do JPMorgan.

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Estrutura do acordo e rentabilidade

Em fato relevante, a Simpar informou que a concretização do acordo prevê a entrada de R$ 650 milhões em caixa (após aprovações regulatórias e concorrenciais), com R$ 100 milhões adicionais condicionados ao cumprimento de metas operacionais (earn-out) nos 18 meses subsequentes.

O JPMorgan aponta que o capital investido na divisão portuária gerou um retorno elevado: o MOIC (Múltiplo sobre o Capital Investido) foi de 5,8 vezes em 3,5 anos de gestão do ativo. Com a transação concluída, os analistas estimam que a Simpar “estaria negociando a aproximadamente 20% de desconto de holding, aproximando-se do nível de 25% que aplicamos como valor justo em nossa valoração por SOTP (Soma das Partes)”.

Infraestrutura alienada e projeções

A infraestrutura vendida inclui os terminais baianos ATU12, em operação desde o início de 2025, e ATU18, que começou a operar com navios Panamax no início do segundo trimestre de 2026. O JPMorgan lembra que a projeção oficial para os dois terminais em 2026 prevê receita líquida entre R$ 330 milhões e R$ 390 milhões, além de Ebitda entre R$ 180 milhões e R$ 250 milhões. A participação da Simpar na CS Portos Amapá não foi incluída no negócio.

Desinvestimentos e classificação neutra

Os analistas do JPMorgan destacam que o desinvestimento nos ativos portuários mantém a estratégia da Simpar de redirecionamento de capital e alienação de operações não centrais. O grupo já havia vendido a Ciclus Rio por R$ 1,1 bilhão em valor de patrimônio líquido em 2025, seguido pela alienação da fatia na Ciclus Belém por R$ 121,5 milhões no início de 2026.

Apesar do sinal favorável para redução da dívida, o JPMorgan manteve classificação neutra para as ações da Simpar, que fecharam a sessão anterior a R$ 7,31. No modelo do banco, a consolidação das vendas de ativos aproxima o patamar de negociação da holding dos níveis projetados de valor justo.

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