Setor de máquinas rejeita reciprocidade contra tarifas dos EUA
Setor de máquinas rejeita reciprocidade contra tarifas dos EUA

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) manifestou-se contra a aplicação da Lei da Reciprocidade como instrumento de retaliação aos Estados Unidos, após o novo tarifaço americano que impõe 25% de sobretaxa sobre máquinas brasileiras. Em reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente executivo da Abimaq, José Velloso, defendeu a via diplomática e a busca por novos mercados como solução para o impasse comercial.

Abimaq rejeita retaliação e aposta em negociação

Velloso foi enfático ao afirmar que a entidade é contrária ao uso da Lei da Reciprocidade. Ele explicou que o mecanismo exige uma consulta pública no Brasil, e acredita que a maioria dos setores se posicionaria contra. "Nós não somos a favor. Entendemos que temos que continuar pela via diplomática-empresarial", disse. Segundo ele, retaliar não resolve um problema que é, na origem, político.

O dirigente lembrou que, em audiência pública em Washington, entidades e empresas americanas manifestaram apoio ao Brasil, sem defesa da taxação. Apesar disso, o governo americano manteve a medida. Velloso destacou que os EUA têm superávit comercial com o Brasil desde 2009 e que empresas americanas são as que mais investem no país, argumentos econômicos que pesam contra o tarifaço.

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Impacto das tarifas e riscos de empilhamento

O tarifaço atual impõe 25% sobre máquinas brasileiras, mas pode chegar a 37,5% com a adição de 12,5% referente a acusações de trabalho forçado. Velloso explicou que a tarifa de 25% é mais danosa por ser exclusiva ao Brasil, reduzindo a competitividade frente a asiáticos e europeus. Já os 12,5% adicionais afetariam também concorrentes de outros países, mas prejudicariam o Brasil em relação aos fabricantes americanos, que competem diretamente.

Para Velloso, a medida tem caráter protecionista e seria uma forma de o governo americano contornar uma decisão recente da Suprema Corte que limitou mecanismos anteriores de taxação. Diante disso, a principal saída é buscar novos compradores fora dos EUA.

Exportações crescem apesar da queda para os EUA

Mesmo com a redução das vendas aos americanos, o setor de máquinas registrou crescimento de 12% nas exportações nos últimos doze meses, atingindo nível recorde. A participação dos EUA nas exportações do setor caiu de 31% antes do tarifaço para 22% atualmente. "Mesmo caindo nos Estados Unidos, nós crescemos. A expectativa é muito boa", afirmou Velloso.

Propostas apresentadas ao governo

Na reunião com Alckmin, a Abimaq apresentou propostas em duas frentes. A primeira visa reduzir o Custo Brasil, com medidas como diminuição de tributos, ampliação de crédito e seguro, e aperfeiçoamento do drawback (devolução de impostos para exportadores). A segunda frente pede ajustes no programa Brasil Soberano, facilitando o acesso de empresas afetadas pelo tarifaço, como a flexibilização da exigência de comprovação de exportações anteriores aos EUA.

Velloso avaliou o programa como bom e que já mostrou resultado, mas defendeu a ampliação da elegibilidade. O encontro com Alckmin é parte de um diálogo constante, e a expectativa é de que o vice-presidente acolha as propostas e sinalize avanços. Novas reuniões com outros setores estavam previstas para a tarde no Ministério do Desenvolvimento.

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