Com o mercado de abertura de capital (IPO) ainda desaquecido, empresas brasileiras estão intensificando a venda de participações acionárias como alternativa para captar recursos. Segundo levantamento da consultoria PwC, o volume de transações envolvendo venda de fatias de empresas cresceu 35% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Movimento de captação privada ganha força
De acordo com o sócio da PwC, Ricardo Guedes, a falta de IPOs tem levado as companhias a buscar outras formas de financiamento. "As empresas estão mais criativas e recorrem a operações de venda de participação para investidores estratégicos ou fundos de private equity", afirmou. No primeiro semestre, foram contabilizadas 47 operações desse tipo, totalizando R$ 12,3 bilhões.
Setores mais ativos
Os setores de tecnologia, saúde e agronegócio lideram as transações. A empresa de tecnologia Logbee, por exemplo, vendeu 30% de sua participação para o fundo americano General Atlantic por R$ 800 milhões. Já a rede de hospitais D'Or vendeu 15% para o fundo soberano de Cingapura GIC.
Impacto no mercado
Especialistas apontam que a tendência deve continuar enquanto as condições para IPOs não melhorarem. "A venda de participação é uma solução de curto prazo, mas pode trazer desafios de governança se muitos acionistas minoritários entrarem", alerta a analista da XP Investimentos, Marina Silva. O movimento também reflete a busca por liquidez em um ambiente de juros altos e incertezas econômicas.



