As indenizações por cortes de geração de energia elétrica no Brasil podem superar R$ 3 bilhões, de acordo com a Associação Brasileira de Geradores de Energia (ABRAGE). O montante considera os prejuízos acumulados desde 2021, quando o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) passou a determinar cortes mais frequentes na geração de usinas eólicas e solares, principalmente no Nordeste.
Motivos dos cortes e impacto financeiro
Os cortes ocorrem devido à falta de capacidade de transmissão para escoar a energia gerada por fontes renováveis em momentos de alta produção. Segundo a ABRAGE, o valor estimado de R$ 3 bilhões refere-se apenas às usinas associadas, que representam cerca de 70% da capacidade instalada de geração renovável no país. O cálculo inclui a energia não gerada e os custos operacionais adicionais.
“Os cortes têm sido recorrentes e crescentes, especialmente no Nordeste, onde a concentração de parques eólicos e solares é maior. Isso gera um passivo que precisa ser ressarcido aos geradores, sob pena de inviabilizar novos investimentos”, afirmou o presidente da ABRAGE, Alexandre Grantham.
Região Nordeste é a mais afetada
Dados do ONS mostram que, em 2025, os cortes de geração no Nordeste atingiram 4,2% da energia disponível, contra 1,8% em 2021. A falta de linhas de transmissão para levar a energia ao Sudeste e Centro-Oeste, onde a demanda é maior, é apontada como principal causa. A ABRAGE estima que, se não houver investimentos em transmissão, os cortes podem chegar a 10% da geração renovável até 2028.
O governo federal, por meio do Ministério de Minas e Energia, reconhece o problema e estuda medidas como a ampliação de leilões de transmissão e a criação de um mecanismo de compensação financeira. No entanto, a ABRAGE critica a demora nas soluções. “Enquanto as obras de transmissão não saem do papel, os geradores acumulam prejuízos que já ultrapassam R$ 2 bilhões apenas nos últimos dois anos”, destacou Grantham.
Propostas de solução e próximos passos
Entre as propostas discutidas no setor está a criação de um fundo de ressarcimento, alimentado por tarifas de transmissão, para indenizar os geradores afetados. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) abriu consulta pública sobre o tema em junho de 2026, com prazo de 60 dias para contribuições. A expectativa é que uma resolução seja publicada ainda neste ano.
Especialistas apontam que o ressarcimento é crucial para a segurança jurídica dos investidores em energias renováveis, que movimentaram mais de R$ 50 bilhões em novos projetos nos últimos cinco anos. Sem a compensação, há risco de desaceleração dos investimentos, comprometendo as metas de expansão da matriz elétrica limpa no país.



