A Novartis superou as estimativas de mercado no segundo trimestre de 2026, com lucro líquido de US$ 2,8 bilhões, alta de 12% ante o mesmo período de 2025. A receita líquida atingiu US$ 13,5 bilhões, crescimento de 8%, impulsionada pelas vendas de medicamentos como Entresto e Cosentyx. A empresa suíça, no entanto, manteve uma postura cautelosa em relação às projeções para o restante do ano, citando incertezas macroeconômicas e pressões competitivas.
Desempenho financeiro supera expectativas
O lucro por ação ajustado foi de US$ 1,85, superando a estimativa média de analistas de US$ 1,72, segundo dados da Refinitiv. A receita também ficou acima do esperado, com analistas projetando US$ 13,2 bilhões. O segmento de medicamentos inovadores contribuiu com US$ 11,2 bilhões em vendas, alta de 9%, enquanto a divisão de genéricos Sandoz registrou crescimento de 4%, para US$ 2,3 bilhões.
O CEO da Novartis, Vas Narasimhan, afirmou em comunicado: "Estamos satisfeitos com o forte desempenho operacional no segundo trimestre, que reflete a execução disciplinada de nossa estratégia e a demanda contínua por nossos medicamentos." No entanto, ele ressaltou que "as perspectivas para o segundo semestre permanecem incertas devido a fatores como pressões de preços e concorrência em mercados-chave."
Cautela com projeções futuras
Apesar do resultado positivo, a Novartis manteve sua projeção de crescimento de receita para 2026 entre 3% e 5%, excluindo efeitos cambiais. A empresa também reiterou a meta de margem operacional ajustada de cerca de 33% para o ano. Analistas do JPMorgan destacaram que a manutenção das metas indica que a administração não vê motivos para revisão para cima no curto prazo, mesmo com o trimestre forte.
Entre os medicamentos de destaque, o Entresto, para insuficiência cardíaca, teve vendas de US$ 1,6 bilhão, alta de 18%. O Cosentyx, para psoríase, registrou US$ 1,4 bilhão, crescimento de 11%. Já o Zolgensma, terapia genética para atrofia muscular espinhal, apresentou queda de 6%, para US$ 320 milhões, refletindo a concorrência de novos tratamentos.
Impacto cambial e perspectivas setoriais
O fortalecimento do dólar americano impactou negativamente as receitas em moeda local, com um efeito cambial negativo de 2% sobre as vendas. A Novartis também enfrenta desafios regulatórios e de precificação em mercados emergentes, especialmente na China, onde as reformas de saúde têm pressionado os preços dos medicamentos.
O setor farmacêutico como um todo tem mostrado resiliência, mas as empresas lidam com a expiração de patentes e a entrada de biossimilares. A Novartis, no entanto, aposta em seu pipeline de medicamentos, incluindo o Kisqali, para câncer de mama, e o iptacopan, para doenças renais, para sustentar o crescimento futuro.



