Os tutores do cachorro Poze, um dos "frentiscães" que trabalhavam uniformizados em um posto de combustíveis em Campinas (SP), informaram a morte do cão em uma postagem nas redes sociais na noite de sábado (18). O animal, que tinha cinco anos, desapareceu na noite do domingo passado (12) durante uma viagem de trailer com a família na cidade de El Bolsón, na região da Patagônia, na Argentina.
Desaparecimento e buscas
No sábado, uma força-tarefa com apoio de moradores locais seria realizada para tentar encontrar o Poze. Porém, os tutores disseram que a mobilização foi cancelada por conta de novas informações. "Ainda não podemos explicar publicamente tudo o que aconteceu. Pela nossa segurança e para que possamos tomar as medidas necessárias da maneira correta, precisamos agir antes de falar", justificaram os tutores. "Obrigado, do fundo do nosso coração, a cada pessoa que compartilhou, procurou, rezou, mandou mensagens ou se colocou à disposição para ajudar o Poze", completaram.
Despedida e reações
Em nova postagem na tarde deste domingo (19), os tutores se despediram do cachorro. "Te amo, Poze. Obrigado, Poze. Você está descansando em um lugar muito lindo agora", escreveram. O g1 procurou o tutor Giovanni Fernandes, que afirmou que está "entendendo juridicamente o que pode ser dito" antes de se manifestar. Ele confirmou a morte de Poze.
Contexto do desaparecimento
Resgatado ainda filhote e figura conhecida no posto administrado por Giovanni, Poze sumiu após ser solto em um acampamento. O município onde ele sumiu tem cerca de 24 mil habitantes. Na última semana, os tutores realizaram buscas, colaram cartazes e mobilizaram moradores e a imprensa da região na tentativa de encontrar o cão. Embora Giovanni tenha contado com o apoio da noiva, a força-tarefa não foi fácil. A hidráulica do trailer onde a família vinha passando os dias quebrou durante a viagem — o que os deixou sem banho e cozinha — e o dinheiro e a ração dos outros cachorros estavam no fim.
Última interação
A família viaja com quatro cães e havia parado em um acampamento localizado a cerca de dez minutos de uma estação de esqui. Na noite do último dia 12, a família recolheu os cães para gravar uma publicidade e, em seguida, voltou a soltá-los em um acampamento. Os três cães voltaram para a casa em seguida, porém, Poze não retornou. Segundo Giovanni, fazia parte da rotina deixar os animais livres no espaço cercado, que tinha um bosque ao fundo. O tutor descreve Poze como um cão "malandro", que não se assusta com facilidade e gosta de interagir com outros cachorros — reflexos do período em que viveu nas ruas. Em casa, no entanto, costuma se fazer de difícil e raramente pede atenção. Com tristeza, Giovanni recordou a última interação com o animal antes do desaparecimento. "Ele veio pedir carinho de um jeito tão, tipo, que não era dele. Pediu tanto carinho, não parava [...] e a gente até brincou: 'nossa, como você está carinhoso, nem parece você'. E foi a última interação que a gente teve com ele", relembrou.
Dificuldades nas buscas
A procura pelo cão esbarrou nos desafios geográficos e tecnológicos, bem como no clima adverso. A região de difícil acesso é cortada por uma rodovia, um rio e trilhas de montanha, dificultando as buscas. Para piorar a situação, a família enfrentou outros três obstáculos: rastreador sem sinal, pois Poze usava uma tag de localização, mas o dispositivo exigia celulares da mesma marca conectados à internet por perto, e na zona rural argentina não há sinal; e frio extremo, já que a região registrava chuvas contínuas e baixas temperaturas.
História dos frentiscães
Ex-cachorro de rua, Poze apareceu em uma das unidades da rede de postos da família de Giovanni e acabou sendo adotado. Ele foi acolhido no estabelecimento do Jardim Novo Campos Elíseos, onde, meses depois, foi adotado pelo gerente e ganhou coleira e uniforme de frentista. No posto, Poze se juntou a Matuê, um vira-lata caramelo de oito anos que foi o primeiro adotado no local e que chegou a sobreviver a um atropelamento grave. A fama dos animais de uniforme inspirou Giovanni a criar um perfil nas redes sociais, que hoje soma mais de 1,1 milhão de seguidores. O perfil mostra a rotina e as brincadeiras dos animais com os irmãos Nagalli e Flávia.



