O número de pedidos de falência no Brasil cresceu 15% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 1.234 casos, de acordo com dados divulgados pelo Serasa Experian nesta terça-feira (21). O aumento reflete a deterioração das condições financeiras de empresas, especialmente nos setores de comércio e serviços.
Setores mais afetados
O comércio respondeu por 45% dos pedidos, seguido por serviços (30%) e indústria (20%). O setor de construção civil também registrou alta, com 5% dos casos. Segundo a economista do Serasa Experian, Luiza Rodrigues, a alta dos juros e a inflação persistente têm pressionado o caixa das companhias. "As empresas menores são as mais vulneráveis, pois têm menos acesso a crédito e margens mais apertadas", afirmou.
Recuperações judiciais também sobem
Além das falências, os pedidos de recuperação judicial aumentaram 12% no período, somando 890 solicitações. Especialistas apontam que o endividamento elevado e a queda no consumo são os principais fatores. "Muitas empresas que conseguiram se manter durante a pandemia agora enfrentam dificuldades com a normalização da economia", explicou o advogado especialista em direito empresarial, Carlos Mendes.
O estado de São Paulo concentrou 35% dos pedidos de falência, seguido por Rio de Janeiro (18%) e Minas Gerais (12%). A região Sudeste como um todo responde por 65% dos casos.
Perspectivas
Para o segundo semestre, a expectativa é de que o número de falências continue elevado, caso a taxa Selic permaneça em patamares altos. O Banco Central manteve a taxa básica de juros em 14,25% ao ano na última reunião. "A recuperação econômica ainda é frágil, e a incerteza política pode agravar o cenário", alertou Rodrigues.
A Serasa Experian ressalta que os dados incluem apenas pedidos formalizados na Justiça, não refletindo necessariamente o total de empresas que encerraram atividades informalmente.



