Falências disparam 35% no semestre, maior alta desde 2016
Falências disparam 35% no semestre, maior alta desde 2016

O número de pedidos de falência no Brasil registrou alta de 35% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo o maior patamar desde 2016. Os dados são da Serasa Experian e revelam que os setores de varejo e construção civil lideram o movimento, com respectivamente 28% e 22% dos requerimentos.

Setores mais afetados e causas

Segundo o levantamento, foram protocolados 1.450 pedidos de falência entre janeiro e junho de 2026, contra 1.074 no primeiro semestre de 2025. O economista da Serasa, Luiz Rabi, atribui o aumento à combinação de juros elevados, inflação persistente e desaceleração da economia. "As empresas enfrentam dificuldade de acesso ao crédito e queda na demanda, especialmente nos segmentos de consumo discricionário", afirmou Rabi.

Recuperações judiciais também crescem

O movimento falimentar é acompanhado por alta de 22% nos pedidos de recuperação judicial, que somaram 890 no semestre. O setor de serviços responde por 34% dos pedidos, seguido por indústria (26%) e comércio (24%). A Região Sudeste concentra 55% dos requerimentos, com destaque para São Paulo, que responde por 38% do total nacional.

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Perspectivas para o segundo semestre

Especialistas consultados pela Serasa projetam que o número de falências pode superar 3 mil em 2026, caso o cenário macroeconômico não melhore. A expectativa é de que a Selic, atualmente em 13,75% ao ano, permaneça elevada até o último trimestre, o que deve continuar pressionando as empresas endividadas. "Sem uma redução mais rápida dos juros, veremos mais empresas fechando as portas", alertou Rabi.

Impacto no emprego e na economia

O aumento das falências já reflete no mercado de trabalho: estima-se que 120 mil postos de trabalho foram perdidos no semestre em decorrência de encerramentos de atividades. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) calcula que o varejo foi responsável por 45% dessas demissões. O governo federal anunciou nesta semana a ampliação do crédito para pequenas e médias empresas via BNDES, mas analistas consideram a medida insuficiente para reverter a tendência de curto prazo.

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