O empresário Vinicius Pires da Silva Allazio, de 40 anos, preso por suspeita de fraude na venda irregular de terrenos em Vila Velha, na Grande Vitória, também é investigado por golpes envolvendo sua empresa de energia solar, a VP Solar. Segundo vítimas, a empresa recebia pagamentos adiantados por equipamentos e serviços de instalação que não eram entregues, deixando os clientes no prejuízo.
Prisão e apreensão de cheque de R$ 100 mil
Contra Vinicius havia dois mandados de prisão preventiva. Ele foi detido inicialmente em 9 de julho por estelionato, em um loteamento irregular na Barra do Jucu. Na ocasião, a polícia apreendeu com ele um cheque de R$ 100 mil de uma das vítimas. O delegado-chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), Gabriel Monteiro, afirmou: "Ele praticou estelionatos com vendas de placas solares e, não satisfeito, entrou no ramo imobiliário, vendendo terrenos que não eram dele."
Esquema imobiliário com documentos falsos
De acordo com a investigação, Vinicius integra um grupo suspeito de comercializar terrenos pertencentes a terceiros utilizando documentos falsos em nome de uma empresa para dar aparência de legalidade às negociações. A polícia apreendeu o cheque de R$ 100 mil, que seria de uma das vítimas do esquema. "É um golpe complexo, envolvendo corretores, uma empresa de construção civil e vigílias. Ele mostrava para as vítimas que era legalizado, mas no final não era. Ele vendia terrenos dentro de uma área de 62 mil metros quadrados, avaliada em R$ 670 milhões, com brigas judiciais", disse Monteiro.
Golpe na energia solar
Além da fraude imobiliária, Vinicius era alvo de um mandado de prisão preventiva por outro processo de estelionato relacionado ao ramo de energia solar. A empresa VP Solar recebia pagamentos adiantados por equipamentos e serviços de instalação que nunca eram entregues. O sócio de Vinicius também é citado nos processos, mas não há informações de que seja alvo das investigações da Polícia Civil.
Vítimas: aposentada de 85 anos e igreja
Uma aposentada de 85 anos, moradora do distrito de Timbuí, em Fundão, contratou em outubro de 2024 a instalação de um sistema de energia solar no valor de R$ 65 mil e pagou R$ 50 mil de entrada. O prazo de entrega era de 70 a 100 dias e expirou em janeiro de 2025 sem que o serviço fosse realizado. O advogado Lisandri Paixão Santana Lima Junior, que representa a idosa e uma igreja evangélica da Serra, afirmou: "A partir do momento que venceu o prazo, a empresa começou a prometer que iria fazer a instalação. Além do prejuízo do pagamento em si, há o prejuízo daquilo que deixou de ser usado."
A igreja evangélica da Serra pagou R$ 64.990 pela compra e instalação de um sistema de energia solar fotovoltaica. O contrato, assinado em outubro de 2024, previa entrega em até 100 dias, prazo encerrado em maio de 2025 sem conclusão. A igreja tentou resolver diretamente com a empresa e pelo Procon, sem sucesso.
Fechamento das lojas e investigação
Segundo o advogado, a empresa começou a encerrar atividades presenciais no início de 2025. "No início de 2025, havia diversas lojinhas da empresa em vários locais, como Serra, Vitória e também no interior do Estado. A principal funcionava em Venda Nova do Imigrante", disse. As unidades físicas foram fechadas sob justificativa de reestruturação, mas o atendimento online serviu apenas para ganhar tempo. "A gente não conseguiu identificar ninguém que tenha recebido a entrega dos produtos. O que aconteceu foi o ajuizamento de diversas ações", afirmou.
O delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, finalizou: "É uma resposta para os cidadãos. Tivemos diversas vítimas, com prejuízos altos. Pessoas que fizeram financiamentos por produtos que não receberam e não irão receber. Serve para as pessoas se conscientizarem, procurarem a Polícia Civil para registrar ocorrência. Outras pessoas estão sendo investigadas e em breve serão alvo."



