Empresas vendem participação para levantar recursos
Empresas vendem participação para levantar recursos

Diante do aperto no crédito e da dificuldade de acesso a financiamentos bancários, um número crescente de empresas brasileiras está recorrendo à venda de participações societárias como forma de levantar recursos. A estratégia, que inclui a alienação de fatias minoritárias ou até o controle de negócios, tem se tornado uma alternativa viável em um cenário de juros elevados e restrição de liquidez.

Cenário de aperto no crédito impulsiona busca por alternativas

Segundo levantamento realizado pela consultoria KPMG, as operações de venda de participação cresceram 35% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Foram contabilizadas 120 transações desse tipo, movimentando cerca de R$ 18 bilhões. O aumento reflete a necessidade das empresas de encontrar fontes de capital em um ambiente de crédito mais restrito.

“As empresas estão buscando alternativas para se capitalizar, e a venda de participação tem se mostrado uma opção viável, especialmente para aquelas que não conseguem acessar o mercado de crédito tradicional”, afirma Carlos Eduardo de Oliveira, sócio da KPMG responsável pela pesquisa.

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Setores mais ativos e perfil das transações

Os setores que mais recorreram a essa estratégia foram tecnologia, saúde e agronegócio. No segmento de tecnologia, as startups lideraram as operações, muitas vezes vendendo participações para fundos de private equity ou investidores estratégicos. No agronegócio, a venda de fatias de empresas familiares para grupos maiores tem sido comum.

As transações envolvem desde a venda de participações minoritárias, que permitem ao investidor entrar no negócio sem assumir o controle, até a alienação total do controle acionário. Em muitos casos, a venda é parcial, com cláusulas de recompra futura, o que dá às empresas a possibilidade de recuperar o controle quando a situação financeira melhorar.

Impactos e perspectivas para o mercado

Especialistas avaliam que a tendência deve se manter enquanto o crédito continuar caro e seletivo. A taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, desestimula o endividamento e torna o capital próprio mais atrativo. Além disso, a venda de participação permite às empresas não apenas levantar recursos, mas também obter acesso a novas competências e redes de contatos dos investidores.

“Essa modalidade de financiamento traz benefícios além do capital, como governança e expertise. No entanto, exige que as empresas estejam preparadas para abrir mão de parte do controle e se sujeitar a exigências dos novos sócios”, ressalta Oliveira.

Para o segundo semestre, a KPMG projeta que o volume de transações continue elevado, podendo superar 250 operações no ano, com movimentação total acima de R$ 40 bilhões. A expectativa é de que setores como energia renovável e infraestrutura também passem a figurar com mais destaque nesse tipo de negociação.

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