Representantes de setores brasileiros, como máquinas, café, madeira e rochas ornamentais, estão em Washington nesta segunda-feira para tentar barrar a tarifa de 25% proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A medida, anunciada pelo governo Trump, afetaria diretamente as exportações brasileiras e gerou reação imediata de entidades empresariais.
Argumentos brasileiros contra a tarifa
Os empresários argumentam que a tarifa prejudica não apenas o Brasil, mas também empresas e consumidores americanos. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a medida aumentaria os custos de insumos para a indústria dos EUA, reduzindo a competitividade e eliminando empregos. A WEG, fabricante de motores elétricos, destacou que a integração econômica bilateral é profunda e que tarifas unilaterais interrompem cadeias produtivas consolidadas.
Setores mais afetados
O setor de máquinas e equipamentos é um dos mais expostos, com exportações anuais de cerca de US$ 2 bilhões para os EUA. O café brasileiro, que responde por 30% do mercado americano, também seria fortemente impactado. A madeira e as rochas ornamentais, com destaque para o granito do Espírito Santo, completam a lista de setores que buscam a exclusão da tarifa.
CNI defende cooperação bilateral
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lidera a delegação e defende a exclusão de produtos específicos da lista de tarifas. Em nota, a CNI afirma que "a tarifa de 25% é desproporcional e fere o espírito de cooperação comercial entre os dois países". A entidade também destaca os avanços econômicos e ambientais do Brasil, como a redução do desmatamento e a transição energética, como argumentos para uma relação comercial mais equilibrada.
Impactos para os EUA
Estudos apresentados pelas associações mostram que a tarifa pode elevar os preços ao consumidor americano em até 3% para produtos como café e máquinas. Além disso, empresas americanas que dependem de insumos brasileiros, como componentes industriais, podem perder competitividade no mercado global. "A tarifa é um tiro no pé da economia americana", afirmou o presidente da Abimaq.
Próximos passos
A delegação brasileira terá reuniões com representantes do USTR e do Departamento de Comércio dos EUA. A expectativa é de que as negociações se estendam por toda a semana. Caso a tarifa seja mantida, o Brasil pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e adotar medidas retaliatórias, como já sinalizou o governo brasileiro.



