Em Grasse, o natural e o sintético caminham juntos na perfumaria
Em Grasse, natural e sintético caminham juntos

Na região de Grasse, no sul da França, considerada a capital mundial do perfume, a convivência entre ingredientes naturais e sintéticos não é apenas tolerada, mas celebrada como essencial para a inovação. Enquanto muitos associam a perfumaria de luxo a flores colhidas à mão, a realidade é que os compostos criados em laboratório desempenham um papel tão crucial quanto os extratos botânicos.

Sinergia entre tradição e tecnologia

Philippe Maubert, mestre perfumista da Symrise, uma das maiores empresas de fragrâncias do mundo, explica que 'o sintético não é um inimigo do natural; é uma ferramenta que permite criar acordes impossíveis com apenas óleos essenciais'. Ele destaca que moléculas como o aldeído C-12, usado no Chanel Nº 5, jamais poderiam ser extraídas da natureza em quantidade suficiente para uso comercial.

Em Grasse, cerca de 60% das matérias-primas utilizadas pela indústria local são de origem sintética, segundo a associação de perfumistas da região. O restante é composto por ingredientes naturais, como jasmim, rosa e lavanda, cultivados nos campos ao redor. A produção de um quilo de essência de jasmim, por exemplo, requer cerca de 8 mil flores colhidas manualmente, o que eleva o custo a mais de 30 mil euros por quilo.

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Inovação sustentável

A combinação de ingredientes não é apenas uma questão de custo, mas também de sustentabilidade. 'Com as mudanças climáticas, colheitas de flores como a lavanda estão ameaçadas. O sintético oferece uma alternativa que preserva os recursos naturais', afirma Claire Dubois, diretora de pesquisa do Instituto de Perfumaria de Grasse.

Empresas como a Givaudan investem em biotecnologia para produzir moléculas idênticas às naturais em laboratório, reduzindo a pressão sobre ecossistemas. Um exemplo é a molécula de patchoulol, usada em fixadores de perfume, que agora é sintetizada a partir de açúcares de cana-de-açúcar, evitando o desmatamento na Indonésia.

O futuro da perfumaria

Para os perfumistas de Grasse, o futuro está na harmonia entre os dois mundos. 'Não se trata de escolher um lado, mas de entender que a criatividade não tem limites quando combinamos o melhor da natureza com o melhor da ciência', conclui Maubert. A cidade, que já foi centro de produção de luvas perfumadas no século XVIII, continua a se reinventar, mantendo-se como referência global.

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