Rogério Ceni, técnico do Bahia, comparou o estilo de jogo do Tricolor ao da seleção espanhola após o empate por 1 a 1 com o Atlético-MG, na última quarta-feira. 'É um time para ter a bola', afirmou o treinador, destacando a posse de bola como característica marcante da equipe. O resultado fechou o primeiro turno do Bahia no Campeonato Brasileiro de 2026 com 30 pontos, na sexta colocação, a apenas três pontos do recorde histórico do clube na era dos pontos corridos (33 pontos em 2025).
Início arrasador e sequência invicta
O Bahia começou o Brasileirão com a melhor largada dos últimos 40 anos. Foram seis jogos de invencibilidade (quatro vitórias e dois empates), a melhor sequência desde 1986, quando o clube iniciou o torneio com impressionantes 16 partidas sem perder. O time venceu três jogos consecutivos como visitante pela primeira vez desde 1987, há 39 anos, superando o calcanhar de Aquiles de 2025. A vitória sobre o Internacional no Beira-Rio, por 1 a 0, foi a primeira do Tricolor na história do Campeonato Brasileiro no estádio gaúcho.
Crise e jejum de vitórias
A primeira derrota veio de forma contundente: goleada por 4 a 1 para o Remo, na oitava rodada, no Mangueirão. O resultado iniciou uma crise que se intensificou com a eliminação na Copa do Brasil também para os paraenses. Em um recorte de dez rodadas, o Bahia teve o segundo pior aproveitamento da Série A, à frente apenas da lanterna Chapecoense, com duas vitórias, três empates e cinco derrotas. O time enfrentou um jejum de oito jogos sem vencer (considerando duas partidas da Copa do Brasil), o maior sob comando de Rogério Ceni, levando a protestos de torcedores pedindo a saída do treinador.
Mudanças na equipe titular
A irregularidade levou Ceni a promover mudanças no time titular, algo incomum em seus primeiros anos no clube. Jogadores antes considerados intocáveis, como Everton Ribeiro, Jean Lucas e Caio Alexandre, perderam espaço. Na lateral direita, Gilberto e Roman Gómez revezaram, e o volante Nicolás Acevedo chegou a atuar na posição. Na zaga, Ramos Mingo foi substituído por Kanu após má fase, mas retomou a titularidade. No meio-campo, Acevedo, Erick e Rodrigo Nestor ganharam oportunidades. No ataque, Kike Olivera perdeu a vaga para Mateo Sanabria, que não aproveitou, e Ademir voltou a ter sequência.
Pilares da equipe
Apesar das mudanças, alguns jogadores mantiveram a titularidade: Ronaldo (recuperado de fratura no cotovelo), David Duarte (bom nível desde 2025), Luciano Juba (artilheiro do time na Série A com sete gols), Erick Pulga (mesmo com altos e baixos) e Willian José (artilheiro do ano com nove gols, em último ano de contrato). Luciano Juba é considerado o melhor e mais regular jogador do Bahia em 2026.
Perspectivas para o segundo turno
O Bahia volta a campo após a pausa para a Copa do Mundo com vitória sobre a Chapecoense e empate fora com o Atlético-MG, trazendo tranquilidade ao treinador. Se repetir a campanha do primeiro turno, o Tricolor chegaria a 58 pontos, que em 2025 seria suficiente apenas para a oitava posição. Com a Série A como único compromisso até o fim do ano, o objetivo é melhorar o desempenho, terminar no G-4 e conquistar vaga direta na fase de grupos da Libertadores. 'Temos que ser mais consistentes', resumiu Ceni.



