Baixa oferta de galpões já preocupa setor imobiliário
Baixa oferta de galpões preocupa setor imobiliário

A baixa oferta de galpões logísticos no Brasil já acendeu o alerta no setor imobiliário. De acordo com um levantamento da SiiLA, empresa de inteligência de mercado, a taxa de vacância de galpões classe A e A+ nas principais regiões metropolitanas do país caiu para 4,8% no segundo trimestre de 2026, o menor nível já registrado. Em São Paulo, principal polo logístico, a vacância é ainda mais apertada, chegando a 3,2%.

Demanda aquecida e oferta restrita

O estudo aponta que a demanda por espaços logísticos cresceu 12% no último ano, impulsionada pelo avanço do comércio eletrônico e pela necessidade de reestruturação de cadeias de suprimentos. Enquanto isso, a oferta de novos galpões não acompanhou o ritmo: apenas 1,2 milhão de metros quadrados foram entregues no primeiro semestre de 2026, volume 15% inferior ao mesmo período de 2025.

"A situação é crítica. Temos uma demanda reprimida enorme e a oferta não consegue crescer na mesma velocidade. Isso já está pressionando os preços de locação", afirma Carlos Henrique de Oliveira, diretor de pesquisa da SiiLA. Segundo ele, o aluguel médio dos galpões classe A subiu 8,5% nos últimos 12 meses, atingindo R$ 24,50 o metro quadrado.

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Impactos nos setores

A escassez afeta diretamente empresas de logística, varejo e indústria. Muitas relatam dificuldades para encontrar espaços adequados para expansão, o que pode limitar o crescimento. "Estamos perdendo oportunidades por falta de galpões disponíveis. Precisamos de pelo menos 50 mil metros quadrados na Grande São Paulo e não encontramos nada que atenda nossas necessidades", diz Luiz Fernando Costa, diretor de operações da Transportadora ABC.

O setor imobiliário vê a situação como um desafio e uma oportunidade. Incorporadoras como a LOG Commercial Properties e a Cyrela Logística anunciaram novos projetos, mas a entrega deve levar de 18 a 24 meses. "Estamos acelerando nossos lançamentos, mas a aprovação de licenças e a disponibilidade de terrenos ainda são gargalos", explica Ricardo Siqueira, CEO da LOG.

Perspectivas para os próximos meses

Especialistas projetam que a vacância deve permanecer abaixo de 5% até pelo menos o final de 2027, mantendo a pressão sobre os aluguéis. A SiiLA estima que a absorção líquida de galpões deve chegar a 3,5 milhões de metros quadrados em 2026, ante uma oferta nova de 2,8 milhões. "O desequilíbrio deve continuar, e os preços de locação podem subir mais 10% a 12% no próximo ano", prevê Oliveira.

Para as empresas, a saída tem sido buscar alternativas em regiões secundárias ou até mesmo adquirir galpões próprios. "A compra está se tornando mais vantajosa que o aluguel em muitos casos, especialmente para quem tem capital disponível", conclui Costa.

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