A baixa diversidade de gênero nos conselhos de administração das empresas brasileiras tem gerado um movimento inverso: o aumento na procura por cursos de capacitação voltados para mulheres. Dados do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) mostram que a participação feminina em conselhos ainda é de apenas 12%, apesar de representarem 44% dos cargos de liderança em empresas.
Crescimento de cursos de formação
Segundo levantamento da consultoria McKinsey, o número de programas de desenvolvimento de liderança feminina cresceu 30% nos últimos dois anos. Instituições como a Fundação Dom Cabral e o IBGC oferecem formações específicas para preparar mulheres para cargos em conselhos. "A demanda aumentou significativamente porque as empresas estão sob pressão para diversificar seus quadros", afirma Ana Paula Costa, diretora do IBGC.
Impacto da pressão regulatória
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a B3 passaram a exigir maior transparência sobre diversidade nos relatórios anuais. Embora não haja cotas obrigatórias, a pressão dos investidores institucionais tem levado as companhias a buscarem candidatas qualificadas. "Sem uma base de mulheres preparadas, as metas de diversidade não serão atingidas", diz Maria Silva, sócia da consultoria EY.
Desafios e perspectivas
Apesar do avanço, o ritmo ainda é lento. Estudo do IBGC indica que, mantido o atual ritmo, a paridade nos conselhos só seria alcançada em 2050. Para acelerar, algumas empresas estão adotando políticas de indicação obrigatória de mulheres para vagas abertas. "É um processo gradual, mas a tendência é de aceleração", conclui Ana Paula Costa.



