Contratação de neurodivergentes cresce 66% em dois anos no Brasil
Contratação de neurodivergentes cresce 66% em dois anos

O número de contratações de profissionais neurodivergentes no Brasil cresceu 66% nos últimos dois anos, segundo levantamento da consultoria Talento Incluir, especializada em inclusão de pessoas com deficiência. O estudo, divulgado nesta segunda-feira (21), mostra que as empresas estão cada vez mais abertas a contratar pessoas com condições como autismo, TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e dislexia.

Dados do levantamento

A pesquisa analisou dados de 1.200 empresas de médio e grande porte em todo o país. Em 2024, foram registradas 12.500 contratações de profissionais neurodivergentes, ante 7.530 em 2022. O crescimento foi puxado principalmente por empresas dos setores de tecnologia, serviços financeiros e consultoria. “As empresas estão percebendo que a neurodiversidade traz inovação e produtividade”, afirma Carla Dantas, CEO da Talento Incluir.

Perfil dos contratados

Entre os neurodivergentes contratados, 45% são pessoas com autismo, 30% com TDAH e 25% com dislexia ou outras condições. A faixa etária predominante é de 25 a 35 anos, e 60% são homens. A maioria das vagas é para cargos de nível técnico e superior, com destaque para áreas de tecnologia da informação, engenharia e finanças.

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Benefícios para as empresas

Segundo o levantamento, as empresas que adotam programas de inclusão de neurodivergentes relatam aumento de 20% na produtividade das equipes e redução de 15% no turnover. “Profissionais neurodivergentes têm habilidades como atenção aos detalhes, criatividade e pensamento lógico, que são muito valorizadas no mercado atual”, explica Dantas.

Desafios e políticas de inclusão

Apesar do crescimento, o número ainda é baixo em relação ao total de pessoas neurodivergentes no país. Estima-se que cerca de 5% da população brasileira seja neurodivergente, mas a taxa de desemprego entre eles é de 80%. “Ainda há muito preconceito e falta de adaptação nos processos seletivos”, afirma Dantas. Para reverter esse quadro, a Talento Incluir recomenda que as empresas invistam em treinamento de recrutadores, adaptem as etapas de seleção e criem ambientes de trabalho mais acolhedores.

Exemplos de empresas

Grandes empresas como Google, Microsoft e bancos como o Itaú já possuem programas estruturados de inclusão. O Itaú, por exemplo, tem um programa de estágio exclusivo para pessoas com autismo, que já contratou 150 profissionais desde 2022. “A inclusão é um diferencial competitivo”, afirma a diretora de diversidade do banco, que não quis ser identificada.

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