O Bitcoin recuou para a faixa dos US$ 64 mil nesta quarta-feira (23), pressionado pela alta do petróleo, que ultrapassou os US$ 100 o barril, e pela expectativa em torno da votação de uma lei de criptomoedas no Congresso dos Estados Unidos. A criptomoeda acumula queda de 4% nas últimas 24 horas, segundo dados do CoinDesk.
Petróleo a US$ 100 e impacto no mercado cripto
O barril do petróleo Brent atingiu US$ 100,30, maior nível desde agosto de 2024, impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e cortes de produção da Opep+. A alta da commodity afeta ativos de risco, incluindo criptomoedas, pois eleva temores de inflação e aperto monetário. “O avanço do petróleo gera incerteza sobre os juros globais, o que leva investidores a reduzir exposição a ativos voláteis como o Bitcoin”, explicou André Franco, analista do Mercado Bitcoin.
Lei cripto dos EUA no radar
Nos Estados Unidos, a Câmara dos Representantes deve votar nos próximos dias o projeto de lei que regulamenta o mercado de criptomoedas. A proposta, que tramita há mais de um ano, define regras para emissão de stablecoins e tributação de exchanges. Segundo o deputado Patrick McHenry, presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, “a legislação trará clareza jurídica e protegerá investidores”. O mercado reage com cautela, pois mudanças podem impactar a operação de corretoras e a demanda por ativos digitais.
Reação do mercado e perspectivas
O Bitcoin chegou a ser negociado a US$ 63.800, menor valor desde o início de julho. O Ethereum também caiu, para US$ 3.450, queda de 3,5%. Analistas apontam que o suporte dos US$ 64 mil é crucial para evitar novas perdas. “Se o Bitcoin perder esse nível, pode testar os US$ 60 mil”, afirmou a analista da XP Investimentos, Isabela Vasconcellos. O volume de negociações nas bolsas aumentou 15% nas últimas 24 horas, indicando maior movimentação de traders.
Impacto no mercado brasileiro
No Brasil, o Bitcoin é negociado a R$ 350 mil, queda de 3,8% no dia. A alta do dólar, que subiu 0,5% para R$ 5,45, amplificou a desvalorização da criptomoeda em reais. A expectativa é que a volatilidade continue até a definição da lei americana e o próximo dado de inflação dos EUA, previsto para sexta-feira. “O mercado cripto está sensível a notícias macroeconômicas e regulatórias”, destacou Franco.



