O Brasil enfrenta um cenário financeiro crítico para os aposentados. Dados do Serasa e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) apontam um recorde de inadimplência no país, combinado com baixo domínio da população sobre finanças pessoais. Ao mesmo tempo, o aperto no crédito consignado amplia o risco para quem depende da fila de precatórios.
Recorde de inadimplência e endividamento
Segundo o Serasa, o número de brasileiros inadimplentes atingiu o maior patamar da série histórica, ultrapassando 70 milhões de pessoas. A Febraban complementa que o endividamento das famílias também cresceu, com destaque para as dívidas no cartão de crédito e no cheque especial. Especialistas apontam que a falta de educação financeira é um dos principais fatores para esse cenário.
Aperto no crédito consignado
O crédito consignado, tradicionalmente uma linha mais barata para aposentados e pensionistas, passou por restrições. O Banco Central reduziu o limite de comprometimento da renda para empréstimos consignados, o que dificulta o acesso ao crédito para quem já está endividado. “A medida visa conter o superendividamento, mas acaba pressionando quem precisa de recursos imediatos”, afirma o economista Carlos Alberto dos Santos, da Universidade de São Paulo.
Riscos para quem depende de precatórios
Muitos aposentados recorrem a precatórios – dívidas do governo reconhecidas pela Justiça – como fonte de renda futura. No entanto, com o aperto no crédito, a fila de espera por esses pagamentos se torna ainda mais arriscada. “A demora na liberação dos precatórios, somada à inadimplência e à restrição de crédito, cria uma tempestade perfeita para os aposentados”, alerta Maria Fernanda Oliveira, advogada especialista em direito previdenciário.
Impacto na economia e na vida dos aposentados
A combinação de inadimplência recorde, restrição ao crédito consignado e dependência de precatórios coloca milhões de aposentados em situação de vulnerabilidade financeira. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que a renda média dos aposentados já vem caindo nos últimos anos, agravada pela inflação. “É urgente que o governo e o sistema financeiro criem alternativas para aliviar essa pressão”, conclui Santos.



