O embaixador da Irlanda no Brasil e presidente da União Europeia, Martin Gallagher, afirmou que o bloco econômico não flexibilizará as exigências sanitárias impostas para que a carne brasileira volte a ser exportada. A declaração foi dada em entrevista ao g1.
Regras não são recentes
Gallagher destacou que as regras sobre o uso de antimicrobianos na produção animal não são recentes e vêm sendo discutidas com autoridades brasileiras há anos. O embaixador classificou a decisão como técnica e reforçou que caberá ao Brasil implementar as medidas necessárias para voltar a atender aos padrões exigidos pelo mercado europeu.
Na conversa, Gallagher reforçou que outros países da América do Sul conseguiram se adaptar às exigências da União Europeia (UE) e permanecem habilitados a exportar, o que reforça a negativa de uma flexibilização das medidas.
Impacto nas exportações
Em 5 de junho, a União Europeia retirou o Brasil da lista de países considerados aptos a atender às suas exigências sobre o uso de antimicrobianos na produção animal, medida que impedirá as exportações brasileiras de carne a partir de 3 de setembro. A UE hoje é o segundo principal consumidor externo das carnes brasileiras, ficando atrás apenas da China, segundo dados do Ministério da Agricultura. Em 2025, os embarques da proteína para o bloco somaram US$ 1,048 bilhão, com volume de 128 mil toneladas.
A decisão não afeta somente a carne bovina: o Brasil seguirá impedido de vender carnes de frango, cavalo, pescado e até mesmo mel.
Diálogo aberto, mas sem flexibilização
Apesar da decisão de manter suspensa a venda a partir de setembro, Gallagher afirmou que o governo brasileiro mantém diálogo com a Comissão Europeia para buscar uma solução e que o bloco segue aberto a negociações. Gallagher reforçou que a UE está disposta a discutir com o governo brasileiro os caminhos para a adequação sanitária, mas destacou que a responsabilidade é das autoridades brasileiras e que as medidas precisarão ser cumpridas.



