Motta busca acordo para limitar impacto de R$ 140 bi de dívidas rurais
Motta tenta acordo para dívidas rurais de R$ 140 bi

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, reuniu-se com representantes da bancada ruralista e do governo federal nesta terça-feira para tentar construir um acordo que limite o impacto fiscal da chamada pauta-bomba das dívidas rurais. O projeto de lei complementar aprovado pelo Senado prevê a renegociação de débitos de produtores rurais, especialmente os afetados por eventos climáticos extremos e conflitos internacionais, mas o Ministério da Fazenda calculou que o texto geraria um rombo de R$ 140 bilhões em dez anos.

Negociação em curso para reduzir custo fiscal

Segundo apurou a reportagem, Motta busca uma saída que atenda tanto aos interesses dos ruralistas, que pressionam pela aprovação rápida da medida, quanto à equipe econômica, que alerta para o descontrole das contas públicas. Uma das alternativas em discussão é a redução do prazo de carência ou a limitação dos benefícios a produtores de menor porte. O presidente da Câmara afirmou que "é preciso encontrar um meio-termo que não onere excessivamente o Tesouro Nacional, mas também não abandone o produtor que enfrenta dificuldades".

Impacto de R$ 140 bilhões preocupa governo

O projeto aprovado no Senado concede descontos e prazos especiais para quitação de dívidas rurais, incluindo aquelas contraídas em operações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e do Programa de Sustentabilidade do Crédito Rural. A estimativa da Fazenda considera o custo total das renúncias e subsídios embutidos na proposta. O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), disse que "o governo está aberto ao diálogo, mas não pode aceitar um impacto fiscal dessa magnitude sem contrapartidas".

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Possível adiamento da votação

Diante da complexidade do tema, Motta sinalizou que a votação pode ser adiada para o segundo semestre, após as eleições municipais. Isso daria mais tempo para ajustes no texto e para que o governo apresente uma proposta alternativa de refinanciamento. A bancada ruralista, no entanto, demonstrou insatisfação com a demora. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Pedro Lupion (PP-PR), afirmou que "os produtores não podem esperar mais; a seca e as enchentes já causaram prejuízos bilionários".

Próximos passos

Nova reunião está prevista para a próxima semana, com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O objetivo é fechar um texto de consenso que possa ser votado em plenário ainda neste semestre, caso haja acordo. Caso contrário, a matéria deve ficar para agosto. O cenário político é de tensão, com o governo tentando conter o avanço de pautas que aumentem o déficit, enquanto o agro busca garantir alívio financeiro para o setor.

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