A indústria brasileira registrou piora pelo segundo ano consecutivo e o Brasil despencou no ranking global de produção industrial, caindo para a 13ª posição em 2026, a pior colocação histórica. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que apontam queda de 0,3% no Produto Interno Bruto (PIB) industrial do país no ano passado.
Desempenho negativo em 2026
De acordo com o levantamento da CNI, o PIB industrial brasileiro encolheu 0,3% em 2026, enquanto a média mundial cresceu 2,1%. Com isso, o Brasil perdeu duas posições em relação a 2025, quando ocupava o 11º lugar. A última vez que o país figurou entre os 12 maiores foi em 2024, na 10ª posição.
O ranking é liderado pela China, que responde por 35% da produção industrial global, seguida por Estados Unidos (15%) e Japão (8%). A Índia aparece em quarto, com 5%, e a Alemanha fecha o top 5 com 4,5%. O Brasil, com participação de 1,8%, está atrás de países como Coreia do Sul (2,5%), França (2,2%) e Itália (2,0%).
Setores mais afetados
A CNI destacou que a piora foi generalizada, mas os setores de máquinas e equipamentos, veículos automotores e produtos químicos foram os que mais contribuíram para a queda. A produção de máquinas recuou 2,5%, a de veículos, 1,8%, e a de químicos, 1,2%. Apenas o setor de alimentos e bebidas registrou crescimento, de 1,3%.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, os resultados refletem a falta de competitividade da indústria brasileira. “Precisamos de reformas estruturais urgentes, como a tributária e a administrativa, para reduzir o custo Brasil e retomar o crescimento industrial. A perda de posições no ranking é um sinal de alerta para o país.”
Comparação com pares latino-americanos
Na América Latina, o Brasil ainda é o maior produtor industrial, mas perdeu participação relativa. O México, embora não esteja no ranking global, ultrapassou o Brasil em produção industrial total em 2025, segundo dados do Banco Mundial. A Argentina, por sua vez, caiu para a 28ª posição mundial.
A CNI também apontou que a indústria brasileira sofre com a alta carga tributária, infraestrutura deficiente e burocracia excessiva. O custo da energia elétrica para a indústria no Brasil é 40% maior que a média dos países da OCDE, e o custo do capital é o dobro.
Perspectivas para 2027
Para 2027, a CNI projeta estagnação do PIB industrial, com crescimento entre 0% e 0,5%, enquanto a economia global deve crescer 2,5%. A entidade defende a aprovação de medidas de desburocratização e a redução de juros para estimular o investimento produtivo.
O governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, afirmou que está trabalhando em um pacote de medidas para a indústria, mas não deu detalhes. A CNI alerta que, sem ações concretas, o Brasil pode perder ainda mais posições nos próximos anos.



