A escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia fez os contratos futuros do trigo dispararem na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta quinta-feira (23). O contrato de setembro fechou em alta de 5,3%, cotado a US$ 7,85 por bushel, o maior nível desde março.
Motivos da alta
Segundo analistas, a piora no cenário geopolítico elevou os prêmios de risco para as commodities agrícolas. A Rússia intensificou ataques a portos ucranianos no Mar Negro, essenciais para o escoamento da produção de grãos. A Ucrânia, por sua vez, respondeu com ataques a refinarias russas, elevando a tensão.
“O mercado teme interrupções significativas no fluxo de trigo do Mar Negro, que responde por cerca de 30% do comércio global”, afirmou o analista Pedro Schicchi, da consultoria AgRural. Ele destacou que a volatilidade deve continuar enquanto não houver sinais de desescalada.
Impacto no mercado global
A alta do trigo já se reflete em outros mercados. O milho também subiu 2,1% na CBOT, para US$ 5,42 por bushel, enquanto a soja teve leve alta de 0,3%. A pressão inflacionária sobre alimentos preocupa governos, especialmente em países importadores como Egito e Indonésia.
Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que a oferta global de trigo está mais apertada nesta safra, com estoques finais previstos em 267 milhões de toneladas, 4% abaixo da média dos últimos cinco anos. A guerra agrava esse cenário.
Reação do governo brasileiro
No Brasil, o Ministério da Agricultura informou que monitora a situação, mas não prevê desabastecimento. O país é autossuficiente em trigo, mas importa variedades especiais para panificação. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima safra recorde de 9,8 milhões de toneladas em 2026.
“O Brasil pode se beneficiar com a alta dos preços, mas o impacto nos custos de produção de aves e suínos preocupa”, disse o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.



