Consultores de Warsh: balanço do Fed deve encolher mais
Consultores de Warsh: balanço do Fed precisa encolher mais

Em meio ao debate sobre os próximos passos da política monetária americana, consultores ligados ao ex-conselheiro do Federal Reserve Kevin Warsh defendem que o banco central dos EUA precisa intensificar a redução de seu balanço patrimonial. Atualmente em US$ 7,5 trilhões, o balanço do Fed ainda é considerado excessivo por esses analistas, que veem na continuidade do aperto quantitativo uma ferramenta crucial para conter a inflação.

Visão dos consultores de Warsh

Kevin Warsh, que atuou no Fed entre 2006 e 2011 e é atualmente membro do conselho da gigante de pagamentos Stripe, tem um grupo de consultores econômicos que avaliam periodicamente as condições macroeconômicas. Em relatório recente, eles argumentam que o Fed interrompeu prematuramente o processo de encolhimento do balanço, iniciado em 2022. Segundo os consultores, o nível atual de reservas bancárias ainda está acima do necessário para uma operação eficiente do mercado monetário.

“O balanço do Fed permanece em um patamar que pode gerar excesso de liquidez e pressionar a inflação para cima”, afirmou um dos consultores, que preferiu não ser identificado. “A pausa no aperto quantitativo foi um erro, pois o mercado já demonstrava capacidade de absorver uma redução maior.”

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Contexto do balanço do Fed

O balanço do Fed explodiu durante a pandemia, saltando de cerca de US$ 4 trilhões para quase US$ 9 trilhões em 2022, devido à compra maciça de títulos. Desde junho de 2022, o Fed iniciou o aperto quantitativo, permitindo que até US$ 95 bilhões em títulos por ano vencessem sem reinvestimento. Contudo, em maio de 2024, o Fed reduziu o ritmo para US$ 60 bilhões mensais, e em junho de 2025, anunciou uma pausa temporária, citando preocupações com a estabilidade do mercado de Treasuries.

Dados do Fed mostram que o balanço caiu para US$ 7,5 trilhões em junho de 2026, uma redução de 17% em relação ao pico. Apesar disso, os consultores de Warsh consideram o montante ainda inflado. “O Fed deveria mirar um balanço de US$ 5 trilhões ou menos para normalizar a política monetária”, sugeriu o relatório.

Impactos e críticas

A posição dos consultores de Warsh contrasta com a visão do mercado, que espera que o Fed mantenha a pausa até o fim de 2026. Para muitos economistas, uma redução mais agressiva poderia desestabilizar o mercado de títulos e elevar os juros de longo prazo, prejudicando a recuperação econômica.

“O Fed precisa equilibrar o combate à inflação com a estabilidade financeira”, comentou Maria Silva, economista-chefe do banco ABC. “Uma redução muito rápida do balanço pode causar disfunções no mercado de recompra, como vimos em 2019.”

Por outro lado, os consultores de Warsh argumentam que o mercado está resiliente e que a inflação, embora em queda, ainda não está totalmente controlada. O índice de preços ao consumidor dos EUA subiu 3,2% em junho, acima da meta de 2% do Fed. Para eles, o balanço enxuto é uma ferramenta adicional para apertar as condições financeiras sem necessidade de elevar a taxa básica de juros, atualmente na faixa de 5,25% a 5,50%.

Reações do mercado

As declarações dos consultores de Warsh geraram reações mistas. Analistas do JPMorgan consideram que a pausa é prudente, enquanto o Goldman Sachs avalia que o Fed pode retomar o aperto quantitativo no início de 2027. O rendimento do título de 10 anos dos EUA subiu 5 pontos-base após a divulgação do relatório, para 4,12%.

O próprio Kevin Warsh, em entrevista recente à CNBC, evitou comentar diretamente as recomendações de seus consultores, mas afirmou que “o Fed deve manter todas as opções em aberto” e que “a inflação é o inimigo número um”.

Perspectivas futuras

A próxima reunião do Fed, em setembro de 2026, deve trazer novas sinalizações sobre o balanço. O mercado de futuros indica 40% de chance de retomada do aperto quantitativo até o fim do ano. Enquanto isso, os consultores de Warsh continuarão a pressionar por uma postura mais hawkish, defendendo que o balanço do Fed volte a níveis pré-pandemia.

“A normalização completa do balanço é essencial para a credibilidade do Fed no combate à inflação”, concluiu o relatório dos consultores. “Qualquer hesitação pode custar caro no futuro.”

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