A residência de Francisco Dionatas Mota de Sousa, preso pelo feminicídio da universitária Ana Rerica de Messias, de 19 anos, foi incendiada e alvejada por tiros na noite desta terça-feira (23), no Bairro São Luís, em Morrinhos, interior do Ceará. O ataque ocorreu horas após a prisão do ex-namorado da vítima, capturado na cidade de Bela Cruz.
Incêndio e disparos
Segundo a Polícia Militar, os agentes foram acionados para atender a ocorrência e encontraram um veículo em chamas estacionado no alpendre, além de marcas de disparos de arma de fogo na estrutura da casa. As chamas se espalharam pelo imóvel, destruindo o carro e parte da residência. O Corpo de Bombeiros foi chamado para controlar o incêndio. Não há informações sobre a autoria do ataque.
A Polícia Civil registrou a ocorrência como crime de incolumidade pública e investiga o caso. "A Polícia Civil realiza diligências com o objetivo de identificar a autoria e a motivação do crime", informou a instituição em nota.
Prisão do ex-namorado
Francisco Dionatas Mota de Sousa, de 18 anos, foi preso na manhã de terça-feira, em Bela Cruz, suspeito de matar a ex-namorada. Segundo as investigações, ele atraiu Ana Rerica para um local ermo e, após uma discussão, a atacou com um objeto perfurante. O corpo da universitária foi abandonado em uma via pública em Morrinhos, no dia 29 de maio. O suspeito foi autuado por feminicídio.
Além do mandado de prisão preventiva, os policiais civis cumpriram três mandados de busca e apreensão — um na residência do investigado e dois em imóveis de familiares. "Durante as diligências, foram apreendidos aparelhos celulares e outros objetos que poderão contribuir para o aprofundamento das investigações e corroborar as provas já reunidas no inquérito policial", disse a Polícia Civil. A ação foi realizada pela Delegacia de Polícia Civil de Marco, com apoio das unidades de Bela Cruz e Acaraú.
Quem era a vítima
Ana Rerica de Messias, 19 anos, era universitária do curso de Pedagogia online e trabalhava como Profissional de Apoio a Crianças com Necessidades Especiais na rede municipal de ensino. Pela manhã, atuava na escola; no início da tarde, dava aulas de reforço; e entre o fim da tarde e o início da noite, ajudava em uma loja de uma tia. Frequentava a Igreja Assembleia de Deus Bela Vista.
O irmão da jovem, André Messias, de 21 anos, a descreveu como "muito querida e bastante esforçada". "Sempre trabalhou com crianças, sempre se deu bem com criança porque no fundo ainda era uma criança. Por isso toda criança que ela trabalhava gostava dela", disse ao g1. No tempo livre, Ana gostava de visitar amigos e andar de moto pela cidade de pouco mais de 20 mil habitantes. Na noite do crime, ela havia saído para dar uma volta.
O relacionamento entre Ana e o suspeito foi breve e já havia terminado antes do assassinato. O corpo da universitária foi encontrado em uma via pública na noite de 29 de maio, e o enterro ocorreu no sábado (30), com dezenas de pessoas no cortejo.



