Quatro trabalhadores foram resgatados de uma pedreira em Virmond, cidade de 3,8 mil habitantes na região central do Paraná, onde eram submetidos a condições análogas à escravidão. Segundo a Polícia Civil, os operários eram impedidos de deixar o local e ficavam "presos ao serviço" porque o proprietário alegava que eles tinham dívidas com ele devido à alimentação fornecida.
Condições precárias e jornadas exaustivas
De acordo com o delegado Luís Leopoldo de Andrade Oliveira Manoel, os trabalhadores eram mantidos em um alojamento improvisado, sem esgoto, água encanada ou local para armazenar comida. Além disso, recebiam salários baixos, com descontos injustificados de alimentação e moradia. "Em conversa com os trabalhadores, eles relataram que eram submetidos a jornadas de 10 a 12 horas por dia e não havia realização de pagamento integral por parte do empregador. Eles relataram que, por exemplo, em 60 dias de trabalho, eles receberam R$ 300", explicou o delegado.
Fiscalização e descoberta de mais vítimas
A fiscalização ocorreu na quarta-feira (1º), após denúncia anônima. Inicialmente, foram encontrados dois trabalhadores, de 39 e 49 anos. Durante a operação, outros dois operários chegaram e afirmaram que também estavam na mesma situação há cerca de um ano. A polícia constatou que os trabalhadores não recebiam equipamentos de proteção individual (EPIs), mesmo atuando em ambiente de risco, e que a pedreira não possuía licença ambiental para operar.
Investigação e medidas legais
O proprietário da pedreira, de 48 anos, não estava no local durante a fiscalização, mas se apresentou voluntariamente na delegacia no dia seguinte. O delegado afirmou que o homem negou os crimes, mas não apresentou comprovantes de pagamento ou documentos que sustentassem sua versão. A investigação criminal continua e deve ser concluída em 30 dias. O caso foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho (MPT) para análise de sanções administrativas. "A rápida atuação da equipe possibilitou o resgate dos trabalhadores e a adoção das medidas necessárias para a continuidade das investigações e responsabilização dos envolvidos", ressaltou o delegado. O nome do dono da pedreira não foi divulgado devido ao sigilo da investigação.



