Uma mulher foi sequestrada após sair de uma casa de shows e entrar em um carro de aplicativo na noite da última quinta-feira (9), no bairro Meireles, em Fortaleza. Ela também foi mantida em cárcere privado e roubada pelos suspeitos, conforme aponta o processo judicial ao qual o g1 teve acesso. O motorista do veículo e outras quatro pessoas foram presas em flagrante pela Polícia Civil poucas horas após o crime.
O crime
O crime ocorreu por volta das 23h50. A vítima solicitou uma corrida pela plataforma Uber após sair de um estabelecimento na Avenida Desembargador Moreira. Ela embarcou em um automóvel conduzido por Matheus Bandeira Fontoura. De acordo com a investigação policial, logo após o embarque, o motorista "alterou deliberadamente o percurso da viagem". Ele reduziu a velocidade do carro em um local combinado com comparsas. Nesse momento, dois criminosos entraram no veículo.
Armados com uma suposta arma de fogo, os assaltantes assumiram o controle do carro, encapuzaram a passageira e exigiram acesso ao celular e às contas bancárias dela. Na sequência, a mulher foi levada para um imóvel utilizado como cativeiro, onde passou a sofrer ameaças de morte.
Movimentações financeiras
Enquanto a vítima estava rendida, os criminosos realizaram diversas movimentações financeiras. O grupo fez transferências eletrônicas, contratou empréstimos bancários e utilizou os cartões da passageira. A quadrilha realizou empréstimos e transferências via Pix utilizando o celular da vítima enquanto a mantinha sob vigilância e ameaças de morte.
Prisão da quadrilha
Ainda conforme o processo judicial, investigações conduzidas pela Delegacia Antissequestro (DAS) revelaram que parte dos valores roubados foi transferida diretamente para a conta do motorista de aplicativo. Ao ser localizado pela polícia, o motorista confessou a participação no crime. Ele apontou Claudio Natan Barros da Silva, conhecido como "Sorriso", como um dos articuladores do sequestro.
As equipes policiais também localizaram Claudio Natan, Otavio Joas Martins de Castro e Ana Karolina da Silva Horta em uma residência vinculada aos investigados. No local, os agentes recuperaram joias da vítima e apreenderam uma arma falsa, dinheiro em espécie, além de porções de maconha e cerca de 50 gramas de cocaína.
A polícia constatou que Ana Karolina ajudou a efetuar os Pix e as movimentações bancárias enquanto a vítima estava no cativeiro. Já Otavio atuou na operacionalização das fraudes financeiras e no tráfico de entorpecentes. Uma quinta integrante, identificada como Rayane da Silva Queiroz, também foi presa por receber parte do dinheiro roubado.
Consequências legais
Segundo o Ministério Público, todos os suspeitos foram presos em flagrante. Eles devem responder pelos crimes de roubo majorado, extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima, associação criminosa e tráfico ilícito de drogas. Os suspeitos passaram por audiência de custódia no dia 11 de julho e tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva.
O g1 questionou a Secretaria da Segurança sobre a investigação do caso, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.



