O Sindicato dos Rodoviários do Município do Rio de Janeiro decidiu, em assembleia realizada nesta terça-feira (7), rejeitar a proposta de aumento de 4,5% oferecida pelo Sindicato das Empresas de Ônibus (Rio Ônibus) e manteve o estado de greve da categoria. Desde o último dia 2, os trabalhadores suspenderam a paralisação e continuaram trabalhando para que as negociações avançassem. Ficou acertado que os motoristas aguardarão uma nova audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), prevista para esta quarta-feira (8) às 11h.
Flexibilização do índice de reajuste
Na assembleia, os trabalhadores também decidiram flexibilizar de 17% para 12%, parcelado em duas vezes, o índice proposto de reajuste salarial pedido pela categoria. "É uma sinalização da categoria de que não tem radicalização da nossa parte", disse Sebastião José, presidente do Sindicato dos Rodoviários. Atendendo a uma solicitação do TRT, o resultado da assembleia será encaminhado por ofício ao tribunal e também ao Rio Ônibus.
Proposta patronal e situação financeira
A última proposta de reajuste oferecida pelo Rio Ônibus foi de 4,5%, além de cesta básica. A classe patronal havia apresentado a sugestão durante uma audiência de conciliação no TRT nesta segunda-feira (6), para substituir uma oferta anterior de 4,39%. Os trabalhadores cruzaram os braços no dia 29 de junho. Na última quinta-feira (2), os motoristas concordaram em suspender temporariamente a greve para que as negociações pudessem prosseguir. Na audiência desta segunda-feira (6), não houve acordo.
Do lado do Rio Ônibus, a alegação é de que a situação financeira das empresas é delicada, como deixou claro o presidente do Rio Ônibus durante audiência de conciliação no TRT. "É importante mencionar que as coisas têm causa e efeito. Hoje estamos recebendo menos do que em 2023, entre receitas e subsídios", disse João Gouveia, presidente do Rio Ônibus.
Impacto para a população
No meio dessa contenda está a população que utiliza ônibus comuns (não articulados) e pode ter surpresas, boas ou ruins. Em abril de 2026, entraram em circulação mais 102 novos coletivos climatizados. Por outro lado, somente em 2026, duas companhias encerraram suas atividades em razão de dificuldades financeiras. Dados da prefeitura mostram, ainda, que 4,74% das viagens realizadas na cidade continuam sendo feitas por veículos sem ar-condicionado.



