PT nega ligação com PCC após prisão de vereador Senival Moura em operação contra lavagem de dinheiro
PT nega ligação com PCC após prisão de vereador Senival Moura

O presidente do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores em São Paulo, Hélio Rodrigues, afirmou que "o PT não compactua com o crime organizado" e que ficou "surpreso" com a prisão do colega de Câmara, Senival Moura, nesta quinta-feira (25), no âmbito da Operação Última Parada, da Polícia Civil e do Ministério Público. Rodrigues, também vereador na capital paulista, disse que, assim que soube da prisão, iniciou uma discussão interna com os diretórios estadual e federal do PT para decidirem a manifestação da legenda sobre o caso, o que deve ocorrer nas próximas horas.

Prisão e investigação

Senival Moura foi preso temporariamente na Operação Última Parada, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público. Além do vereador, foram presos Jair Ramos de Freitas ("Cachorrão"), diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento ("Sapo"), motorista e homem de confiança do vereador. A polícia cumpriu cinco mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão. Outros alvos de prisão são Lourival Monário ("Orelha"), atual presidente da Transunião, e Leonel Moreira Martins ("Cabeça Branca"), supervisor operacional.

Segundo o relatório de investigação, Senival atuava como uma espécie de diretor informal dentro da Transunião. Ele não aparecia no quadro de diretores formais, mas tomava decisões financeiras. O vereador foi identificado em mensagens e planilhas pelo codinome 'véio'. A defesa do vereador não retornou o contato do g1.

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Reações e impactos

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse que os ônibus da Transunião seguirão circulando, mas citou possível intervenção da SPTrans na companhia. Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans informaram que "a operação dos ônibus da empresa Transunião segue funcionando, com a frota atendendo normalmente as linhas sob sua responsabilidade e sem prejuízo ao atendimento da população".

Números da operação incluem bloqueio de 117 veículos, 3 embarcações, sequestro de 21 imóveis e bloqueio de R$ 194.457.851,90 em contas dos alvos. Os investigados são acusados de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações.

Histórico da investigação

O inquérito começou a partir da investigação do assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-presidente da Transunião, executado em 2020. Documentos do PCC, os "salves", revelaram que Adauto e Senival haviam sido condenados à morte por supostos desvios de valores da facção. O MP afirma que "a facção teria descoberto, então, que Adauto desviava dinheiro da empresa para subsidiar uma espécie de 'caixa dois' para as eleições de 2020, privilegiando diretamente Senival em sua campanha à reeleição".

As investigações apontam que Senival concordou com a execução de seu braço-direito e foi "perdoado" devido à sua influência política e capacidade de ressarcir o prejuízo. Após o crime, o PCC teria nomeado Lourival Monário e Jair Ramos de Freitas para assumir a presidência e direção da Transunião. Jair é apontado como o executor dos disparos que mataram Adauto.

Esquema e conexões

A Transunião, que apenas em 2025 recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema de transportes paulistano, vinha sendo usada para lavagem de dinheiro do crime organizado. A investigação aponta que a mudança societária da empresa teve origem criminosa: o capital social saltou de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem comprovação de origem. Isso permitiu à Transunião vencer licitações da Prefeitura.

Os investigadores também constataram ligações com a máfia italiana 'Ndrangheta, por meio das operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi. Em 2024, o Gaeco deflagrou a Operação Fim da Linha, que desarticulou grupos suspeitos de lavar dinheiro através da Upbus e Transwolff, empresas que transportavam cerca de 700 mil passageiros por dia e receberam mais de R$ 800 milhões em 2023.

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