Uma investigação do governo do Rio de Janeiro revelou que cinco policiais lotados no Departamento de Transportes Rodoviários (Detro-RJ) estavam desviados de suas funções para atuar como seguranças de deputados estaduais na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Os agentes, cedidos ao gabinete da autarquia, faziam parte de um esquema de triangulação que desviava servidores públicos para atividades alheias ao órgão de origem.
Detalhes da investigação
De acordo com a auditoria, dos 360 funcionários do Detro-RJ, 120 estavam em situação de "alta criticidade", ou seja, não cumpriam suas atribuições regulares. Desses, cinco foram identificados como seguranças pessoais de parlamentares na Alerj. A prática configura desvio de função e pode caracterizar improbidade administrativa.
Desde março, o governo interino do Rio de Janeiro já exonerou 4.283 funcionários fantasmas em auditorias realizadas em diversos órgãos estaduais. A ação faz parte de um esforço de reestruturação e combate a irregularidades na máquina pública.
Reações e defesa
Raphael Salgado, ex-presidente do Detro-RJ, nega qualquer irregularidade. "Todos os servidores estavam em exercício regular de suas funções. Não havia desvio de finalidade", afirmou. No entanto, a investigação aponta que os policiais não estavam alocados em atividades do Detro, mas sim prestando serviços de segurança a deputados.
A Alerj, por meio de nota, informou que desconhecia a situação e que vai apurar os fatos internamente. O caso agora está sob análise do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), que pode abrir inquérito civil para investigar possíveis danos ao erário.
Impacto e próximos passos
A revelação levanta questionamentos sobre a fiscalização e o controle de servidores cedidos entre órgãos estaduais. Especialistas apontam que a falta de transparência facilita a ocorrência de desvios como esse. O governo interino prometeu intensificar as auditorias e criar mecanismos mais rigorosos para evitar a reincidência de casos similares.



