O pai do homem suspeito de aplicar o chamado “golpe do amor” contra uma mulher em Franca (SP) afirmou, em áudios obtidos pelo g1, que tentou ajudar o filho várias vezes, mas que a família também sofre com os crimes atribuídos a ele. As mensagens foram enviadas por ele a uma das vítimas em Franca depois que ela denunciou Thiago Cristiano Boch à polícia. A auxiliar de laboratório disse que foi enganada durante um relacionamento e que teve um prejuízo de R$ 15 mil.
Pai desabafa sobre o filho
“É triste a gente falar, porque sou pai, mas é muito triste. Já fez muita coisa errada. Eu não sei que nome ele deu para você […], mas ele usa nome e documento falso”, disse o pai em um dos áudios. Nos registros, ele relata internações do filho em clínicas de reabilitação, uso de nomes e documentos falsos e diz que parentes deixaram de confiar nele por causa do sofrimento causado.
No material, o pai afirma que Thiago “passa conversa nas mulheres”, aplica golpes e fica com os carros das vítimas. Ele responde a processos em pelo menos quatro estados, sendo que a maioria foi arquivada. O g1 não localizou a defesa de Thiago até a última atualização desta reportagem. Também tentou contato direto com suspeito por WhatsApp, mas ele não comentou o assunto.
Encontro com o sogro
Em junho, a vítima viajou ao Paraná com Thiago. Segundo ela, o namorado disse que precisava ir até o estado porque teria dinheiro a receber do pai pela venda de uma casa. Durante a viagem, a mulher esteve na casa do sogro. Em mensagens enviadas a ela após a descoberta de identidade do namorado, o homem disse ter ficado preocupado ao vê-la no local. Segundo relata, ele imaginou que o carro usado pelo filho pudesse pertencer à namorada e temeu por um golpe. O veículo era alugado e estava alugado no nome da vítima. Ela afirma que só conseguiu recuperá-lo depois de montar um plano para reaver o carro.
Em um dos áudios, o pai de Thiago também afirma que o filho nunca foi casado e não tem filhos, como teria dito à vítima, e relata que ele “está dando muito trabalho para todo mundo”. Boch é investigado por suspeita de enganar mulheres com promessas de relacionamento para obter vantagens financeiras ou patrimoniais. Ele tem ampla ficha criminal e histórico de investigações por estelionato em ao menos quatro estados. Segundo o delegado Davi Abimael, responsável pelo caso em Franca, nenhum advogado havia se apresentado para a defesa do investigado até a última atualização da reportagem.
Família diz que tentou ajudar
O pai disse que parentes tentaram ajudar o suspeito, mas que a situação não melhorou. Segundo ele, familiares não confiam mais no homem. “Nossos parentes, ninguém confia nele. Todo mundo tentou ajudar ele e não deu certo”, disse. Ainda de acordo com o pai, a mãe do suspeito mora em Foz do Iguaçu, no Paraná, e teria pouco contato com ele. O familiar também relatou que o homem já teria causado problemas a parentes que tentaram se aproximar ou ajudar.
O pai afirma que o filho passou a se envolver com drogas ainda na adolescência, depois de ir morar com a mãe. Segundo ele, desde então, a família passou a enfrentar problemas recorrentes. “Internei ele duas, três vezes em clínica de dependente de droga. E ele fugia”, disse.
Uso de nome falso e documentos falsos
Nos áudios, o pai afirma que o suspeito usava nomes falsos e documentos falsificados para circular e se aproximar de vítimas. “Eu não sei que nome ele deu para você, se era Thiago ou sobrenome, mas ele usa nome falso, usa documento falso”, afirmou. Segundo o pai, o suspeito ficava em cidades e estados diferentes, sem informar à família onde estava. “Eu nunca sei onde ele está. Um dia ele está numa cidade, um dia ele está em outra. Um dia ele está em um estado, um dia ele está em outro”, disse.
Impacto na casa da família
O pai afirmou ainda que, por causa de problemas envolvendo o filho, uma casa da família chegou a ser invadida e depredada. Segundo ele, móveis, portas, geladeira e televisão foram quebrados enquanto ele trabalhava. “Entraram aqui nessa casa, quebraram tudo. Todos os móveis, todas as portas, geladeira, televisão, quebraram tudo por causa dele”, disse. O familiar afirmou que chegou a pensar em abandonar o imóvel por causa da situação.



