A Polícia Civil deflagrou a Operação Mercenarius em Porto Alegre, resultando na prisão preventiva de um homem investigado por um esquema de estelionato envolvendo falsos investimentos. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 1,1 milhão, afetando ao menos 20 vítimas. A ação, conduzida pela 4ª Delegacia de Polícia na quarta-feira (17), também cumpriu mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos do suspeito.
Como funcionava o esquema
De acordo com a investigação, o suspeito oferecia aplicações financeiras por meio de empresas do setor sob seu controle, prometendo ganhos superiores aos praticados no mercado. As indicações ocorriam principalmente entre pessoas próximas, como familiares e conhecidos das vítimas. Os valores eram depositados tanto em contas das empresas quanto em uma conta pessoal do investigado.
Após captar os recursos, ele teria encerrado as atividades sem devolver o dinheiro e deixado o país. Às vítimas, informou que estaria na Ucrânia. A apuração aponta que ele realmente saiu do Brasil para participar do conflito armado no país europeu e, posteriormente, retornou.
Ameaças a vítimas e familiares
Com a falta de retorno dos valores investidos, parte das vítimas passou a cobrar o suspeito. A investigação aponta que, nesse momento, começaram as ameaças, feitas por uma terceira pessoa contratada para intimidar os credores. Os contatos incluíam ligações para familiares das vítimas.
Durante a apuração, foram reunidos contratos, comprovantes de transferências, arquivos digitais e dados telemáticos que indicam como o esquema operava. Esse material embasou o pedido de bloqueio de patrimônio.
Antecedentes do investigado
O investigado possui registro como CAC (Caçador, Atirador e Colecionador) e já havia sido preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. Na noite de terça-feira (16), uma arma vinculada a ele foi apreendida pela Brigada Militar em Alvorada, na Região Metropolitana, com dois suspeitos.
Decisões judiciais e crimes investigados
A Justiça autorizou as medidas solicitadas pela Polícia Civil, incluindo a prisão preventiva e as buscas em imóveis ligados ao investigado, à esposa dele e às empresas envolvidas. Também foi determinado o bloqueio de contas bancárias, aplicações financeiras, veículos e criptoativos, em valor próximo ao prejuízo identificado.
Os envolvidos podem responder por estelionato, ameaça e posse irregular de arma de fogo. A investigação também avalia possível enquadramento por lavagem de dinheiro.
O delegado Gabriel Lourenço, responsável pelo caso, afirmou que esse tipo de golpe tem se tornado mais elaborado e, neste caso, acompanhado de violência. Ele destacou que a polícia vai seguir atuando para responsabilizar os envolvidos e tentar recuperar os valores.
A Polícia Civil orienta que pessoas que acreditam ter sido vítimas de esquemas semelhantes procurem uma delegacia para registrar ocorrência.



