O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou na manhã desta quarta-feira (10) a Operação 'Fora de Foco' para apurar suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos no Instituto de Cegos do Brasil Central (ICBC), localizado em Uberaba. A instituição, fundada em 1942, é uma das mais tradicionais entidades assistenciais da cidade e da região do Triângulo Mineiro, dedicada ao atendimento de pessoas cegas ou com baixa visão.
Investigação aponta repasses milionários
Segundo o MPMG, as investigações miram supostas irregularidades envolvendo repasses municipais e estaduais realizados nos últimos dois anos, que totalizam mais de R$ 2 milhões. Durante a operação, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em imóveis ligados aos investigados e na sede da entidade. A ação contou com o apoio da Polícia Militar.
O g1 e a TV Integração tentaram contato com o atual diretor do instituto, Felício de Jesus Dias da Costa, para comentar as investigações, mas não obtiveram retorno até a última atualização da reportagem.
Afastamento temporário da diretoria
A pedido do Ministério Público, a Justiça determinou o afastamento temporário de dirigentes e gestores ligados à administração do instituto. Também foram impostas restrições de acesso a documentos, sistemas internos e movimentação de recursos financeiros da instituição. De acordo com o MPMG, as medidas foram autorizadas após a apresentação de elementos que indicam risco de continuidade das supostas irregularidades e possibilidade de destruição de provas.
A investigação teve início em maio deste ano, após denúncia recebida pelo órgão. Depoimentos de testemunhas que trabalhavam na própria instituição reforçaram as suspeitas levantadas durante a apuração. Entre os possíveis crimes investigados estão estelionato contra entidade de assistência social, falsidade ideológica, uso de documento falso e associação criminosa.
Desvios de recursos e irregularidades
A Promotoria de Justiça de Uberaba aponta indícios de que recursos destinados a projetos assistenciais, educacionais e de saúde foram desviados para finalidades ainda não esclarecidas. As investigações também incluem suspeitas de irregularidades em prestações de contas, uso de documento falso e cadastramento irregular de beneficiários em programas financiados com dinheiro público.
Operação Fora de Foco
O nome 'Fora de Foco' faz referência à necessidade de trazer à apuração fatos que, para o MPMG, permaneceram encobertos na gestão da entidade, permitindo esclarecer a correta destinação dos recursos públicos aplicados no atendimento de pessoas com deficiência visual. Os mandados judiciais e medidas cautelares contra a atual diretoria foram expedidos pela 1ª Vara Criminal de Uberaba. As investigações seguem em andamento.



