MP-BA revela como líderes do CV comandavam facção da prisão
MP-BA revela como líderes do CV comandavam de dentro da prisão

Operação Doutores da Alegria expõe esquema do Comando Vermelho

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) revelou, em investigação divulgada neste domingo (5) pelo programa Fantástico, da TV Globo, que líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) continuavam comandando a organização de dentro de presídios baianos. Segundo a acusação, advogados utilizavam o atendimento reservado nos presídios para levar e trazer ordens relacionadas a tráfico de drogas, compra de armas, movimentação de dinheiro, disputas internas e até articulações políticas.

Advogados como intermediários

A investigação, batizada de Operação Doutores da Alegria, resultou na prisão de 10 advogados e 12 detentos. De acordo com o MP-BA, os advogados atuavam como verdadeiros mensageiros, transmitindo instruções dos líderes presos para membros da facção em liberdade. As comunicações ocorriam durante encontros presenciais nas salas de atendimento reservado, que deveriam ser sigilosos para garantir a defesa jurídica, mas eram usados para coordenar atividades criminosas.

Um dos trechos da investigação aponta que os advogados levavam ordens sobre o tráfico de drogas, como rotas e preços, além de instruções para a compra de armas e a gestão do dinheiro arrecadado com o crime. Também foram identificadas discussões sobre disputas internas por poder na facção e até articulações políticas para beneficiar integrantes.

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Impacto e medidas propostas

O MP-BA sugere que sejam adotadas regras mais rígidas de monitoramento nos presídios para impedir que o atendimento reservado seja usado para fins criminosos. A discussão sobre essas medidas está em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF). A operação levanta questionamentos sobre a segurança nas prisões e a necessidade de equilibrar o direito à defesa com o combate ao crime organizado.

Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) afirmou que repudia qualquer conduta ilegal de advogados e que acompanha o caso para apurar possíveis infrações éticas. A OAB também destacou que a maioria dos advogados exerce a profissão com ética e dentro da lei.

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