Moradores temem deslizamentos após queda de ponte no Acre
Moradores temem deslizamentos após queda de ponte no AC

Moradores de áreas próximas ao local onde a ponte Frei Paolino Baldassari desabou, em Sena Madureira, interior do Acre, agora convivem com o temor de novos deslizamentos de terra. A região onde a estrutura estava localizada sofre com o fenômeno conhecido como "terras caídas", que afeta encostas de rios. Diante da situação, uma equipe do Ministério Público do Acre (MP-AC) foi enviada ao município e acionou a Defesa Civil Municipal para realizar vistorias e avaliar a necessidade de remoção de moradores nas áreas mais críticas. Até a tarde deste sábado, nenhuma família havia sido retirada.

Contexto do desabamento

A ponte desabou na noite da última sexta-feira (5), em Sena Madureira. A estrutura já estava interditada desde quinta-feira (4) devido ao risco de desabamento às margens do Rio Iaco. Imagens de câmeras de segurança mostraram que quatro pessoas que ultrapassaram o bloqueio estavam passando no momento do acidente e ficaram feridas.

Relatos de moradores

Enquanto não há definição sobre a retirada, os moradores lidam com o susto causado pelo desabamento e o risco de novos incidentes. A estudante Nicole Vitória, de 13 anos, mora com a mãe em uma área de barranco às margens do Rio Iaco. Ela conta que frequentemente sentia a ponte balançar ao atravessá-la. "É muito desesperador para as pessoas que moram aqui, o barranco descer. O pessoal gritou socorro na hora da ocorrência. Muito desesperador", relata.

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O mecânico Giliard Souza, do Primeiro Distrito, visita frequentemente a mãe, que também mora às margens do rio. Com o desabamento, ele afirma que as visitas devem ficar mais difíceis, já que o trajeto por terra exige um percurso mais longo. Para ir com a esposa e os filhos, a alternativa é utilizar a travessia de catraia. A mãe dele o avisou por telefone instantes após o desabamento. "Naquele momento, creio que foi uma coisa de Deus, porque se não tivessem delimitado a ponte, creio que teria morrido várias pessoas. Às 5 horas da tarde ficava muita gente no meio da ponte tirando foto. Para a gente é um desespero ver isso acontecer bem pertinho de casa", lamenta.

Ação do Ministério Público

Uma equipe do Núcleo de Apoio Técnico (NAT) do MP-AC foi ao município, com uma promotora, engenheiro e perito para analisar o local do desabamento. Além de apurar as causas do desastre, o órgão pretende garantir a segurança dos moradores e evitar mais feridos. "Acionamos o DNIT, estamos oficiando o Deracre, a própria empresa construtora Cidade e também o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público para identificar outras obras que essa empresa tem atuado em nosso estado, para adotar medidas proativas e preventivas em defesa do patrimônio público", declarou o promotor Júlio César Medeiros.

A promotora de Justiça Juliana Fernandes, que foi ao município com a equipe do NAT, destacou que a remoção de famílias das áreas de risco é essencial. Além disso, o MP irá recomendar medidas para conter a movimentação de solo nas margens do rio. "A gente teve notícias de que aqui na região continua cedendo, então provavelmente vai ter que ser feita a retirada dessas famílias. Acionamos a Defesa Civil para vir até aqui, junto com a Secretaria de Assistência Social, para fazer essa retirada enquanto é seguro", explicou.

Relato de sobrevivente

Weverton Murieta, um dos sobreviventes do desabamento, recebeu alta na manhã deste sábado (6) e deu entrevista explicando os últimos momentos antes da queda. Ele trabalhava com Antônio Morais Filho, outra vítima, descarregando caminhões de mercadorias. Os dois voltavam para casa quando encontraram o juiz aposentado Edinaldo Muniz e o irmão dele, Edinei Muniz, em cima da ponte interditada. "Ele perguntou onde era a falha da ponte, pediu para eu ir com ele. Aí, quando passei na frente para mostrar, a ponte desabou", contou.

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Impactos no município

Quem mora nas áreas próximas também passou por susto. O estudante Marcos Henrique, de 18 anos, relata que ele e o avô ouviram um estrondo e pensaram que era a casa deles desabando. "Começou tudo a chacoalhar, aí ouvimos um barulho, e de repente aquele estrondo. Eu saí e meu avô disse: 'A ponte caiu'. Vi a fumaceira, corri, quando olhei a ponte estava caída, todo mundo em desespero. Foi desesperador porque achávamos que tinha sido aqui em casa, já que moramos à beira de barranco", conta.

A interdição e a queda da ponte já provocam impactos no município. O mototaxista Anderson Freitas, de 50 anos, conta que a falta da travessia aumenta o tempo de deslocamento entre os dois distritos. Sem a passagem, o transporte entre as regiões só é possível por catraias, pequenas embarcações. "Pedimos aos clientes para compreenderem a demora. Se ligarem para nós sairmos para o Segundo Distrito, vamos fazer um atalho pela outra ponte, da estrada de Rio Branco", explica.