Mãe de Eduardo, morto no Alemão, celebra denúncia de PMs após 10 anos
Mãe de Eduardo celebra denúncia de PMs após 10 anos

Terezinha Maria de Jesus, mãe do menino Eduardo, morto com um tiro de fuzil no Complexo do Alemão em 2015, afirmou ao g1 que não vai parar de lutar por justiça. Na sexta-feira (26), dois policiais militares foram denunciados pelo homicídio de Eduardo, além de fraude processual. "Tiraram a vida do meu filho e acharam que ia ficar por isso mesmo. Eu já estou cansada de tanta luta, mas continuo porque a gente não pode parar de lutar", disse.

Denúncia contra os PMs

A 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio de Janeiro denunciou os policiais militares Rafael de Freitas Monteiro Rodrigues e Marcus Vinicius Nogueira Bevitori pelo homicídio qualificado de Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos. Terezinha disse que a ficha "demorou a cair" ao saber da notícia. "A gente espera há tanto tempo que não acredita que é verdade quando chega", relatou.

Reabertura do caso

O processo contra os policiais chegou a ser arquivado em 2016, mas foi reaberto em 2024 após a mãe da vítima trazer novas provas ao Ministério Público. Na época, ela conversou com o RJ2: "Consegui 43 vídeos que me ajudaram muito também nesse desafio do processo e uma testemunha chave que não posso falar nome, mas ela viu tudo o que aconteceu com meu filho", relatou em 2024. "Na época, ficou com muito medo e era menor. Passaram 8 anos, ela com aquilo na mente. Ela disse que não dormia mais, só pensando, e principalmente, quando via nas reportagens pedindo Justiça pra Eduardo. Ela resolveu me procurar", acrescentou.

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Luta por justiça

Ao g1, Terezinha disse que fez tudo que poderia fazer por seu filho e acredita que o caso poderá ir à Justiça. "Eu creio que essa porta que Deus abriu, ninguém vai fechar. A justiça pro meu filho tem que ser feita".

Relembre o caso

O menino foi atingido por um tiro de fuzil durante uma ação policial no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, em abril de 2015, enquanto brincava com um celular. De acordo com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), o crime foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, que estava sentada na entrada de sua casa, na localidade conhecida como Ping Pong. Ainda segundo a denúncia, os disparos foram efetuados a uma distância de aproximadamente quatro metros, tendo Eduardo sido atingido pelas costas.

Pedido de indenização e julgamento

A Promotoria pediu para que os denunciados sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri e condenados ao pagamento de indenização mínima de R$ 1 milhão pelos danos causados. No despacho do promotor André Luis Cardoso, o Ministério Público afirma que a criança estava a apenas 4 metros dos policiais, e que o único estojo de fuzil foi encontrado pelo pai de Eduardo, que o entregou às autoridades. Para o Ministério Público, a informação desmente a versão dos policiais de que houve legítima defesa.

Fraude processual

O promotor acrescentou ainda que, segundo a análise do MP, a guarnição dos dois policiais modificou o local do crime para tentar simular um confronto, plantando munições de calibre .40. Uma parte do inquérito também será enviada para a Promotoria de Justiça de Auditoria Militar.

Em 2016, o inquérito da Polícia Civil concluiu que os policiais agiram em legítima defesa, trocavam tiros com bandidos e balearam Eduardo acidentalmente, apesar de testemunhas terem dito o contrário.

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