A Polícia Civil de Minas Gerais detalhou, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (3), como chegou ao ex-marido de Flávia Silva Marques, de 27 anos, encontrada morta na quinta (2) após seis dias desaparecida em Inhapim. A investigação aponta o homem como autor do feminicídio.
Desaparecimento e suspeita de crime
O caso começou na segunda-feira (29), quando familiares registraram o desaparecimento de Flávia. Segundo a polícia, a diarista havia deixado as duas filhas na casa dos pais para ir a uma festa no sábado (27). Como não voltou no domingo nem foi trabalhar na segunda, os familiares procuraram a polícia.
O delegado Ivan Sales afirmou que o comportamento atípico fez a polícia tratar o caso como possível crime desde o início. Imagens de câmeras de segurança mostraram que, logo após Flávia sair para a festa, o carro do ex-marido a seguiu. “Ela é vista posteriormente somente num trilho, que não é um local comum para ela passar”, disse Sales.
Tentativa de álibi
O ex-marido tentou criar um álibi: procurou familiares, se ofereceu para cuidar das filhas e chegou a chorar ao registrar o desaparecimento na Polícia Militar. “Ele ligou para a mãe e para a irmã da vítima dizendo que queria o bem dela”, relatou o delegado.
Conforme a investigação avançava, o suspeito passou a demonstrar intenção de fuga. “Ele procurou um policial militar dizendo que Flávia havia sido presa no México”, contou Sales. Antes de pedir a prisão temporária, a polícia foi até a casa do homem para abordá-lo.
Confissão e localização do corpo
Durante a conversa, o suspeito percebeu que a polícia já tinha provas contra ele. “Ele viu que a polícia já estava no encalço dele”, afirmou o delegado. Então, indicou onde havia dispensado a bolsa com celular e pertences da vítima e levou os policiais até uma área de mata perto de um cafezal, onde o corpo foi encontrado.
O resgate foi adiado por falta de equipamentos. “Mesmo encontrando o corpo, não conseguiríamos retirar com segurança”, explicou o delegado Sávio Moraes. O Corpo de Bombeiros realizou a retirada na manhã de sexta-feira (3).
Versão contestada
O investigado afirmou que Flávia caiu de um penhasco após uma relação sexual. A versão é contestada pela perícia, que encontrou incompatibilidades. “O short da vítima estava muito bem acomodado ao pé da árvore”, disse Sales. Além disso, o suspeito apresentava arranhões nas costas, indicando possível defesa da vítima. A causa da morte depende do exame necroscópico.
Indícios de outros crimes
O promotor Jonas Monteiro afirmou que há indícios de estupro, sequestro e tortura. “Temos certeza absoluta da autoria. Ele matou de forma violenta”, declarou. Se confirmados, as penas podem ultrapassar 100 anos de prisão. “Feminicídio pode chegar a 60 anos, estupro passa de 20 anos, somados com sequestro e tortura, ultrapassam 100 anos”, calculou.



