Ex-prefeito de Belford Roxo preso com fuzil em operação da PF
Ex-prefeito de Belford Roxo preso com fuzil

O ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella, foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de uso restrito após policiais federais encontrarem um fuzil na mala de seu carro. Ele passou a noite de terça-feira no Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio, unidade considerada porta de entrada do sistema penitenciário.

Prisão durante Operação Unha e Carne

A prisão ocorreu durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, que visa desarticular uma quadrilha suspeita de usar postos de gasolina para lavar dinheiro. Canella, o delegado Marcus Amim (ex-secretário de Polícia Civil do Rio), o policial civil Pablo Jukiá Felix Ferreira e um ex-PM são investigados e foram alvos de mandados de busca e apreensão. A operação teve origem em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que aponta movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos pela rede de postos.

Flagrante e apreensões

Inicialmente, Canella era apenas alvo de busca e apreensão. Em sua casa, os agentes federais apreenderam outras armas, munições e relógios de luxo. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão determinados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, em 19 endereços na capital e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. Ao todo, foram apreendidos 11 carros de luxo, incluindo uma Mercedes-Benz avaliada em R$ 1,5 milhão. Em uma empresa em Niterói, foram encontrados cerca de R$ 800 mil em espécie. Um policial militar também foi preso por porte de arma na casa de um dos investigados. A Justiça determinou o sequestro de bens e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo, cujos valores e nomes não foram divulgados.

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Antecedentes e investigação

Canella, filiado ao União Brasil, mesmo partido de Bacellar (preso na primeira fase da operação), deixou a Prefeitura de Belford Roxo este ano para concorrer ao Senado com apoio de Flávio Bolsonaro. Em 2024, durante a disputa pela Prefeitura, foi flagrado com uma arma na cintura em um evento de campanha, registrado em vídeo. Seu mandato foi marcado por discurso de segurança pública. Marcus Amim, que esteve à frente da Polícia Civil entre 2023 e 2024, teve sua indicação atribuída a Bacellar e Canella. Para assumir o cargo, a Alerj precisou alterar uma lei devido à falta de tempo de carreira. Antes, Amim presidiu o Detran-RJ e levou policiais para o órgão, incluindo Pablo Jukiá. Em setembro de 2024, o governador Cláudio Castro exonerou Amim por estar "descontente" com seu trabalho. Uma semana depois, Amim já estava na Alerj como chefe de segurança até dezembro. Segundo o Jornal Nacional, investigações apontam que Amim seria proprietário de duas lojas de conveniência em postos de combustíveis.

Próximos passos

Canella passará por audiência de custódia nas próximas horas, quando a Justiça decidirá se confirma a prisão em flagrante ou se o político responderá em liberdade. Os investigados podem responder por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro. A Operação Unha e Carne integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela PF por determinação do STF no contexto da ADPF das Favelas (ADPF 635).

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