Um ex-investigador da Polícia Civil do Espírito Santo foi preso em flagrante na noite de quarta-feira (24) após invadir a residência da ex-companheira, agredir a babá da própria filha — uma bebê de nove meses — e deixar a criança cair no chão durante a ação. O caso ocorreu no bairro Marbella, na Serra, região da Grande Vitória.
Detalhes da prisão e crimes imputados
O suspeito, Gervano Rocha Nascimento, de 40 anos, foi autuado em flagrante pelos crimes de dano qualificado, lesão corporal, lesão corporal culposa, abandono de incapaz e vias de fato, conforme informou a Polícia Civil. Após os procedimentos legais, ele foi encaminhado ao Centro de Triagem do Complexo Penitenciário de Viana.
Segundo a Polícia Militar, o ex-policial passou a tarde ligando insistentemente para a ex-companheira para saber onde a filha estava. A mulher se recusou a informar o paradeiro da criança devido ao histórico de comportamento agressivo do ex-companheiro. De acordo com o relato da vítima, Gervano afirmou que levaria a filha "de qualquer maneira".
Invasão e agressão contra a babá
Pouco tempo depois, a babá entrou em contato com a mãe da criança informando que o homem estava tentando arrombar a porta da residência e fazendo ameaças. Conforme o relato da cuidadora aos policiais, o suspeito dizia que "acabaria" com ela caso a porta não fosse aberta. Gervano conseguiu arrombar a porta e entrou no imóvel. A babá contou que foi agredida com tapas pelo ex-investigador. Na sequência, ele tomou a bebê dos braços da profissional, mas durante a ação acabou deixando a criança cair no chão.
Quando a Polícia Militar chegou ao local, encontrou o suspeito bastante alterado e agressivo. Aos militares, Gervano afirmou que havia ido à residência apenas para buscar a filha e levá-la para a casa do avô paterno. Ele negou ter agredido a babá e alegou que toda a situação aconteceu por falta de comunicação com a ex-companheira.
Histórico de violência e medida protetiva
Segundo a ex-companheira, o relacionamento durou cerca de três anos e o casal estava separado havia aproximadamente um ano. Ela relatou que, em fevereiro deste ano, procurou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) da Serra após um episódio de agressão ocorrido durante uma visita aos avós paternos da criança. Na ocasião, Gervano se irritou porque a filha não quis ir para o colo dele e passou a fazer ameaças. Ela registrou boletim de ocorrência e solicitou uma medida protetiva, alegando que o ex-companheiro tinha frequentes crises de agressividade e já havia cometido outras agressões durante o relacionamento, mas ela mesma pediu a revogação. A mulher também informou que o ex-investigador costumava visitar a filha armado, situação que, segundo ela, lhe causava insegurança.
Carreira e desligamento da polícia
Nas redes sociais, Gervano contava que foi investigador e passou pelo Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC) e outras divisões da Polícia Civil. Segundo a PC, em março deste ano, ele pediu desligamento do cargo que exercia. Atualmente, atuava como advogado criminalista, professor de Direito Constitucional e mentor para concursos públicos. No Portal da Transparência do Estado, Gervano consta como ex-investigador da Polícia Civil, com desligamento em março deste ano. Em abril, publicou nas redes sociais que estava deixando a corporação. O nome dele também aparece no Portal da Transparência como ex-soldado da Polícia Militar, cargo que ocupou até 2009. Gervano respondeu a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado em dezembro de 2024. A Polícia Civil explicou que o pedido de exoneração não impede o regular prosseguimento dos procedimentos administrativos disciplinares instaurados para apurar condutas praticadas durante o exercício do cargo.
Outro caso de agressão
Em dezembro de 2025, Gervano se envolveu em outro caso de agressão física envolvendo relacionamento amoroso. Uma mulher de 23 anos procurou a polícia após o homem se recusar a pagar pelos dias que teria ficado com ela. A vítima informou que passou quatro dias com o ex-policial civil e passou a considerar que estavam em um relacionamento amoroso. Após a resposta negativa de Gervano, ela cobrou a quantia de R$ 5 mil pelo tempo que ficou com ele. No entanto, o homem ofereceu R$ 100 para a vítima. Eles iniciaram uma discussão e, segundo o relato da mulher, por ciúmes, Gervano quebrou o celular dela. Na confusão, ela relatou ter sido agredida pelo ex-policial civil.
Posicionamento das autoridades
A Polícia Civil informou que Gervano foi autuado em flagrante pelos crimes de dano qualificado, lesão corporal, lesão corporal culposa, abandono de incapaz e vias de fato. A Secretaria da Justiça (Sejus) informou que ele não possuía passagens anteriores pelo sistema prisional. A defesa de Gervano e familiares foram procurados, mas não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem.



