Quatorze anos após o crime, o ex-policial militar Valdinei Cecílio de Brito foi preso pelo assassinato do adolescente Luciano Ângelo de Lima Filho, de 15 anos, ocorrido em 2012 em Ribeirão Preto (SP). A prisão aconteceu na quinta-feira (2), em Taubaté (SP), e foi comemorada pela avó da vítima, Arlete Serafim dos Santos, que lutou por justiça por mais de uma década.
Prisão após condenação e mudança jurisprudencial
Valdinei foi condenado em 2023 a 24 anos de prisão por homicídio qualificado, mas aguardava em liberdade enquanto recorria da sentença. No entanto, o mandado de prisão foi expedido antes do trânsito em julgado, devido a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2024, que determinou o início imediato do cumprimento de pena para condenados por júri popular. O ex-PM foi encaminhado ao Presídio Romão Gomes, na capital paulista.
O advogado de Valdinei, Júlio Mossin, afirmou ao g1 que o processo foi encerrado e não há mais recurso possível, mas a defesa ainda avalia a possibilidade de uma revisão criminal.
Reação da avó: 'O que me interessa é que ele vai pagar'
Arlete Serafim dos Santos, avó de Luciano, disse à EPTV, afiliada da TV Globo, que a prisão representa o fim de uma longa espera. "Demorou 14 anos e são 14 anos de luta. Eu acho que muita gente me conhece por isso e eu posso dizer até que estou feliz, porque a gente fica esperando a vontade de Deus, mas a dos homens é importante. Então, a gente estava dependendo dos homens e, graças a Deus, foi feito", declarou.
Ela também afirmou que não se importa com o tempo que o ex-PM ficará preso, mas sim com o fato de ele começar a cumprir a pena. "Para mim, não interessa quanto, não me interessa como, onde ele vai ficar. O que me interessa é que ele vai pagar pelo que ele fez. O meu neto não era ladrão, o meu neto era um menininho trabalhador, era um garoto que estudava, trabalhava, muito alegre. E não tem um dia que eu não penso nele", disse.
Arlete confessou que chegou a acreditar que Valdinei não seria preso. "Achei que ele não ia ser preso agora, não. Que ele talvez tivesse cobertura, mas, graças a Deus, agora a justiça foi feita."
O crime: discussão por cone de trânsito
Luciano morreu no dia 8 de outubro de 2012, um dia após completar 15 anos, vítima de um tiro nas costas. O crime ocorreu após uma breve discussão com o então PM Valdinei por causa de um cone de trânsito na Avenida Patriarca, no Jardim Piratininga. Segundo a família, Luciano saiu de casa para encher o pneu da bicicleta em um posto de combustível que costumava frequentar. Ele teria passado por cones colocados na avenida devido a uma obra e chutou um deles, o que gerou a discussão.
Valdinei alegou legítima defesa, dizendo que Luciano teria tentado assaltá-lo, versão descartada pelas investigações. Câmeras de segurança do posto flagraram o momento em que o adolescente caiu da bicicleta, já baleado. O inquérito foi concluído em fevereiro de 2013, e Valdinei foi indiciado por homicídio duplamente qualificado (motivo fútil e sem possibilidade de defesa da vítima). Luciano foi socorrido e levado à UBDS da Vila Virgínia, mas chegou sem vida.



