A criança de 9 anos resgatada de um banheiro de bar em Aparecida de Goiânia, na última quinta-feira (2), afirmou à polícia que era mantida trancada no local por ser considerada 'teimosa' pelo pai e pela madrasta. A revelação foi feita pela delegada Sayonara Lemgruber, responsável pelo caso, em entrevista à TV Anhanguera.
Condições de cárcere e agressões
Segundo a Polícia Civil, o menino passava horas dentro do banheiro, onde comia e dormia sobre um tapete. A delegada detalhou que a criança também era vítima de agressões físicas. "A criança narrou que era agredida algumas vezes, por meio de fio pelo pai, mas também já foi agredida pela madrasta com alguns utensílios da cozinha", informou a investigadora.
O pai e a madrasta foram presos em flagrante e permaneceram em silêncio durante o depoimento na delegacia. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados, e o g1 não conseguiu contato com a defesa deles.
Justificativa da criança e rotina de isolamento
Ao ser questionada sobre o motivo do cárcere, a criança disse que era punida por ser 'teimosa'. A delegada destacou que a justificativa não tem fundamento. "Ela justifica que era mantida nessa situação por ser teimosa. É uma criança doce, educada, tranquila. Nada justifica essa situação ainda que fosse teimosa", esclareceu Lemgruber.
De acordo com a Polícia Civil, o menino não frequentava a escola e permanecia no banheiro durante a noite e também durante o dia. Ele só saía do local quando o bar estava funcionando, para que os frequentadores não percebessem a situação de maus-tratos.
Medidas legais e acolhimento
Segundo a delegada, o pai e a madrasta podem responder pelo crime de maus-tratos, com aumento de pena devido à idade da vítima. O menino foi resgatado pelo Conselho Tutelar e encaminhado a um abrigo. A mãe biológica foi localizada em Goiânia, mas a criança permanecerá sob proteção até que seja avaliado o ambiente familiar para que algum parente possa assumir a guarda.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Goiás.



