Artesã denuncia envenenamento por mercúrio no Recife; aluna é suspeita
Artesã denuncia envenenamento por mercúrio no Recife (13.07.2026)

A artesã Denny Cardoso denunciou à polícia ter sido envenenada com mercúrio durante meses enquanto trabalhava em um projeto social no Recife. A suspeita é Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, aluna do projeto. Imagens gravadas pela vítima mostram a suspeita despejando uma substância na garrafa de água da artesã. Laudos periciais confirmaram a presença do metal na água e no organismo da vítima, com concentração de 21 microgramas de mercúrio por mililitro de sangue.

Cronologia do envenenamento

Segundo a vítima, os sintomas de intoxicação começaram no segundo semestre de 2024. Ela trabalhava há mais de dez anos no projeto Arte na Medicina, localizado em um anexo do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no Recife. A suspeita, Maria Aparecida, frequentava as aulas como acompanhante do filho e, de acordo com a artesã, colocava mercúrio na garrafa de água dela durante vários meses.

Como a artesã descobriu o envenenamento

A vítima começou a desconfiar após flagrar a suspeita com sua garrafa. Em uma ocasião, a mulher disfarçou, fingindo que apenas movia o recipiente. A artesã também sentiu pequenas 'bolas' na água e, certo dia, retirou uma 'bolinha' de mercúrio da garganta após beber água. Decidiu então comprar uma garrafa idêntica, deixou o celular filmando escondido e registrou, em duas ocasiões, a suspeita mexendo no recipiente e despejando uma substância. Em seguida, acionou a Polícia Militar.

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Imagens e provas

As gravações, de junho de 2025, mostram a suspeita despejando uma substância dentro da garrafa de água da artesã em duas ocasiões distintas. Após uma das gravações, a Polícia Militar levou ambas as mulheres para a Central de Plantões da Capital. No boletim de ocorrência, a suspeita negou ter envenenado a bebida, mas os policiais encontraram resíduos de um pó no fundo da bolsa dela. A vítima entregou o recipiente contaminado na delegacia da Boa Vista e passou por exames no Instituto Médico Legal (IML).

Exames toxicológicos

O exame toxicológico detectou 21 microgramas de mercúrio por mililitro de sangue. A médica responsável pelo laudo afirmou que a quantidade indica ingestão do metal por um período estimado entre oito meses e um ano. O laudo pericial da garrafa também confirmou a presença de mercúrio na água.

Sequelas e tratamento

A artesã continua em tratamento e relata dores abdominais, neuropatia, compressão na medula, redução dos movimentos e comprometimento da coordenação motora. Segundo ela, o mercúrio atingiu o cérebro. Aguarda uma consulta com neurocirurgião pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para produzir um laudo solicitado pela Polícia Civil sobre as sequelas neurológicas. A defesa ingressou na Justiça para garantir o atendimento, mas até agora não houve mudança no quadro.

Investigação policial

O caso é investigado pela Delegacia da Boa Vista desde junho de 2025. Segundo a vítima e seu advogado, todos os laudos periciais foram concluídos, mas o inquérito ainda não foi finalizado. A Polícia Civil não explicou a demora nem informou por qual crime Maria Aparecida Rodrigues de Araújo é investigada. A corporação afirmou apenas que o caso segue sob investigação e que não pode divulgar mais detalhes para não comprometer as diligências.

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