Uma operação da Polícia Civil contra um esquema ilegal de sorteios resultou na prisão de duas pessoas neste domingo (5), incluindo um homem de 60 anos apontado como o principal responsável pela fraude. A ação também apreendeu carros de luxo e R$ 610 mil em espécie em uma casa no bairro Vila Monteiro, em Piracicaba (SP).
Esquema 'Vida Sorte' prometia prêmios milionários
A investigação mirou os responsáveis pelo 'Vida Sorte', um esquema de apostas que prometia um prêmio principal de R$ 100 mil, além de três prêmios secundários de R$ 5 mil e trinta rodadas de 'super giros' no valor de R$ 500 cada. O flagrante ocorreu durante a realização do sorteio.
De acordo com o Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold) da Polícia Civil de Piracicaba, as cartelas eram vendidas em Piracicaba e cidades da região, como Limeira. Cada cartela custava R$ 10 e era comercializada tanto presencialmente, por meio de revendedores, quanto por aplicativos de mensagens, com pagamentos processados por uma plataforma digital de intermediação financeira.
Veículos de luxo e materiais apreendidos
No imóvel onde o grupo realizava o sorteio transmitido ao vivo pelas redes sociais, os policiais apreenderam uma BMW 320i, uma Toyota Hilux e um Honda Civic. Além dos veículos, foram apreendidos:
- Uma urna de sorteio personalizada com a marca 'Vida Sorte', contendo 60 bolinhas numeradas;
- Uma caixa registradora para controle financeiro das vendas das cartelas;
- Computadores, notebooks, tablets e aparelhos celulares utilizados na gestão e na transmissão ao vivo do evento;
- Documentos, contratos, registros de vendas, planilhas e comprovantes financeiros;
- Material gráfico e publicitário de divulgação do sorteio clandestino, além de uma máquina de contagem de cédulas.
Empresa de fachada e Certificado de Autorização irregular
O homem apontado como organizador e administrador do esquema fraudulento foi identificado apenas pelas iniciais A. L. E.. O outro preso, E. O. S., de 65 anos, era o titular nominal da empresa de fachada utilizada para a operação, a EOS LTDA. 'A referida pessoa jurídica havia sido constituída apenas 45 dias antes do sorteio, com capital social declarado de R$ 25.000,00 — valor considerado irrisório frente à captação milionária sob investigação', informou a polícia.
Os investigadores descobriram que os suspeitos usaram um Certificado de Autorização que pertence a um clube de futebol de Tucuruí, no Pará, entidade filantrópica que não possuía qualquer relação com o sorteio realizado no interior paulista. 'A empresa dos investigados não detinha nenhuma autorização legal dos órgãos federais competentes para a realização de sorteios comerciais', completou a polícia, em nota.
Investigação continua
Segundo a polícia, as investigações vão continuar para identificar outros suspeitos de participarem do esquema. A operação reforça o combate a crimes de corrupção, crime organizado e lavagem de dinheiro na região.



